Registros fotográficos em asilos psiquiátricos: o que as expressões faciais revelam

Autores

  • Regina de Sá Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia. Jornalista, autora premiada com duas obras em concurso de literatura infantil idealizado pelo governo do estado da Bahia.

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2016.v12.33861

Palavras-chave:

Fotografia, Hospital psiquiátrico, Fisiognomia, Linguagem corporal

Resumo

Em meados do século XIX , a fotografia surgia como importante ferramenta para diagnosticar pacientes com problemas psiquiátricos, uma técnica empregada por um dos mais importantes estudiosos de seu tempo, o britânico Hugh Welch Diamond. O psiquiatra do Surrey County Lunatic Asylum, Inglaterra, acreditava que o tratamento das desordens mentais alcançaria pleno êxito a partir do uso da fisiognomia, arte baseada na avaliação do caráter ou da personalidade de uma pessoa a partir das expressões faciais. Na segunda parte deste artigo, conexões entre os experimentos de Diamond e sua consecução por detrás das lentes de outros fotógrafos nos permite entabular análises teórico-iconográficas sobre o olhar dos pacientes do Hospital Psiquiátrico do Juqueri, em diferentes períodos, o que nos dá pistas sobre  determinados indivíduos que profundamente observavam tanto quanto foram amplamente “apanhados pelo olho” da câmera. Assim como a máquina travava um diálogo carregado de simbologias e impressões, paralelamente, no campo das artes plásticas, seu representante maior, Van Gogh, assim registrou essa ambivalência ao produzir séries de autorretratos, especialmente no período em que esteve em uma instituição para doentes mentais, considerado como um dos mais criativos da carreira do artista.

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Publicado

2016-06-30

Como Citar

Sá, R. de. (2016). Registros fotográficos em asilos psiquiátricos: o que as expressões faciais revelam. Cadernos De História Da Ciência, 12(1), 162–184. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2016.v12.33861

Edição

Seção

Artigo Original