Tradição e saúde e as mudanças nas necrópoles de Pelotas/RS

Autores

  • Anderson Pires Aires Mestrando em Arquitetura e Urbanismo pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas. Arquiteto e Urbanista.
  • Ester Judite Bendjouya Gutierrez Doutora em História pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas. Arquiteta e Urbanista.

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2016.v12.33872

Palavras-chave:

História, necrópole, tradição, saúde, Pelotas

Resumo

O artigo busca identificar na história mortuária possíveis classificações das necrópoles quanto às suas organizações e aos seus costumes. Por meio de estudo sobre as formas de sepultamento no Brasil do século XIX, os cemitérios da cidade de Pelotas foram analisados e agrupados em duas categorias. A necrópole da tradição abrangeu os quatro primeiros campos santos da cidade. Nesse grupo, foram observadas características que perpetuavam as tradições da Igreja, sem uma preocupação sobre os perigos que os corpos em decomposição junto à cidade apresentavam. A necrópole da saúde seguiu determinações para evitar a propagação de doenças, representou um campo santo de Pelotas e utilizou soluções da cidade romana da Antiguidade, adaptadas para auxiliar na organização da necrópole. Com isso, verificou-se que a preocupação com a saúde substituiu a tradição nos campos santos de Pelotas, mudando os locais de sepultamento para evitar a propagação de doenças provindas dos corpos em decomposição.

Referências

AIRES AP, GUTIERREZ EJB. A instalação da cidade cemiterial em Pelotas no século XIX. Anais do 18º Encontro de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pelotas; 2016 set. 26-30; Pelotas, Brasil. Pelotas: UFPEL; 2016. Disponível em: http://wp.ufpel.edu.br/enpos/anais/anais2016/
______. Cemitério Israelita – um bairro de tradição judaica na cidade cemiterial católica de Pelotas. Anais do 19º Encontro de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pelotas; 2017 nov. 20-24; Pelotas, Brasil. Pelotas: UFPEL; no prelo.
______. Irmandades Religiosas – decisões sobre os sepultamentos e as necrópoles de Pelotas-RS. Anais do 4º Encontro de Pesquisas Históricas da PUCRS; 2017 ago. 08-10; Porto Alegre, Brasil. Porto Alegre: PUCRS; no prelo.
ARIÈS P. História da morte no Ocidente: da Idade Média aos nossos dias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 2012.
ARRIADA E. Pelotas: gênese e desenvolvimento urbano. Pelotas: Armazém Literário; 1994.
BETEMPS LR, JACCOTTET AMM. Povoadores de Pelotas-RS: Freguesia de São Francisco de Paula (1812-1825). Pelotas: Santa Cruz; 2009.
______. Povoadores de Pelotas-RS (1825-1855). Pelotas, no prelo.
CUNHA, AC. Cemitérios da Cidade de Pelotas: Santa Cruz, Recinto da Igreja, Detrás da Igreja, N. S. da Luz, Rua do Passeio, Estrada do Fragata. [19--].
Localizado na: Biblioteca Pública Pelotense [BPP], Centro de Documentação e Obras Valiosas [CDOV], Fundo Alberto Coelho da Cunha [FACC], Pelotas, Brasil; ACC-002.
______. Cidade de Pelotas. [19--]. Localizado na: BPP, CDOV, FACC, Pelotas, Brasil; ACC-002.
GUTIERREZ, EJB. Barro e sangue: mão de obra, arquitetura e urbanismo em Pelotas 1777-1888. Pelotas: UFPel; 2004.
______. Negros, charqueadas & olarias: um estudo sobre o espaço pelotense. 3. ed. Passo Fundo: Universidade de Passo Fundo; 2011.
Imagem de satélite do Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas. 2012. Localizada na: Prefeitura Municipal de Pelotas [PMP], Secretaria
Municipal de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana [SMGCMU], Pelotas, Brasil.
KIDDER DP, FLETCHER JC. O Brasil e os brasileiros: esboço histórico e descritivo. V. 2. São Paulo: Nacional; 1941.
LAMAS JMRG. Morfologia Urbana e desenho da cidade. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian; 2000. Legislação Provincial e Estadual 1846-1922, [19--?]. Localizada no: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil.
Livro de Atas da Câmara Municipal de Pelotas. Ata do dia 12 de janeiro de 1849. [entre 1844 e 1849]. Localizado na: BPP, CDOV, FACC, Pelotas, Brasil.
______. Ata do dia 30 de julho de 1851. [entre 1849 e 1861]. Localizado na: BPP, CDOV, FACC, Pelotas, Brasil.
______. Ata do dia 17 de janeiro de 1852. [entre 1849 e 1861]. Localizado na: BPP, CDOV, FACC, Pelotas, Brasil.
______. Ata do dia 31 de janeiro de 1852. [entre 1849 e 1861]. Localizado na: BPP, CDOV, FACC, Pelotas, Brasil.
______. Ata do dia 21 de abril de 1852. [entre 1849 e 1861]. Localizado na: BPP, CDOV, FACC, Pelotas, Brasil.
______. Ata do dia 26 de junho de 1852. [entre 1849 e 1861]. Localizado na: BPP, CDOV, FACC, Pelotas, Brasil.
______. Ata do dia 13 de novembro de 1852. [entre 1849 e 1861]. Localizado na: BPP, CDOV, FACC, Pelotas, Brasil. Livro de Atas do Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas. Ata do dia 26 de novembro de 1855. [entre 1855 e 1863]. Localizado na: Santa Casa de Misericórdia de Pelotas [SCMP].
______. Ata do dia 4 de agosto de 1859. [entre 1855 e 1863]. Localizado na: SCMP. Loureiro MAS. Origem histórica dos cemitérios. São Paulo: Secretaria de Serviços e Obras da Prefeitura Municipal de São Paulo; 1976.
Mapa Urbano Básico de Pelotas. 2017. Localizado na: PMP, SMGCMU, Pelotas, Brasil.
MARX M. Cidade no Brasil, terra de quem? São Paulo: Nobel; 1991.
MASTROMAURO GC. Alguns aspectos da saúde pública e do urbanismo higienista em São Paulo no final do século XIX. Caderno de História da Ciência [online]. 2010, vol. 6, n. 2 [acesso 12 jan. 2018], pp. 45-64, Disponível em: http://periodicos.ses.sp.bvs.br/scielo.php?cript=sci_arttext&pid=S1809-76342010000200004&lng=pt&nrm=-iso. ISSN 1809-7634. Medição do Terreno de Thomáz José Xavier, 1854. Localizada no: Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, Fundo Comarca de Rio Grande, Porto Alegre, Brasil; PJ005, estante 140C, caixa 06.119, Cartório
Civel e Crime, Autos n. 615.
MOTTA A. À flor da pedra: formas tumulares e processos sociais nos cemitérios brasileiros. Recife: Massangana; 2009.
MUMFORD L. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes; 1982.
NASCIMENTO HA. Arcaz de Lembranças. Porto Alegre: Martins Livreiro; 1982.
______. Santa Casa de Misericórdia de Pelotas: histórico comemorativo aos 140 anos. Pelotas: Santa Casa de Misericórdia de Pelotas; 1987. Planta de 1815. Localizado na: BPP, CDOV, Pelotas, Brasil; Livro de registros de prédios e terrenos do município de Pelotas. Planta da cidade de Pelotas de 1835. Localizada na: PMP, SMGCMU, Pelotas, Brasil.
REIS JJ. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras; 1991.
______. Prefácio. In: RODRIGUES C. Lugares dos mortos na cidade dos vivos: tradições e transformações fúnebres no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro:
Secretaria Municipal de Cultura; 1997. p. 11-15. ROCHA MABB. Transformações nas práticas de enterramento: Cuiabá 1850-1889. Cuiabá: Central do
Texto; 2005.
RYKWERT J. A ideia da cidade: a antropologia da forma urbana em Roma, Itália e no mundo antigo. São Paulo: Perspectiva; 2006.
SOARES PRR. Del proyecto urbano a la producción del espacio: morfología urbana de la ciudad de Pelotas, Brasil (1812-2000) [tese]. Barcelona: Universidade de Barcelona; 2002.
TOMASCHEWSKI, C. Caridade e filantropia na distribuição da assistência: a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas-RS (1847-1922) [dissertação]. Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; 2007.

Downloads

Publicado

2016-12-31

Como Citar

Aires, A. P., & Gutierrez, E. J. B. (2016). Tradição e saúde e as mudanças nas necrópoles de Pelotas/RS. Cadernos De História Da Ciência, 12(2), 110–135. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2016.v12.33872