Pensamento social e linguagem n’Os Sertões de Euclides da Cunha: entre a ciência europeia e a experiência sertaneja

Autores

  • Alberto Luiz Schneider É graduado em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com Mestrado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Fez pós-doutorado no King’s College London e na Universidade de São Paulo (USP). Foi professor convidado na Tokio University of Foreign Studies e professor temporário da USP. É autor de Silvio Romero Hermeneuta do Brasil (Annablume, 2005). Atualmente é professor do departamento de história da PUC-SP

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2013.v9.34309

Palavras-chave:

Euclides da Cunha, Os sertões, raça, cientificismo, linguagem, estilo

Resumo

O artigo explora o pensamento social e a linguagem – inclusive o estilo – d’Os Sertões, de Euclides da Cunha, procurando discutir a maneira como a ciência – e os determinismos daí derivados – foram reconfigurados quando postos em contato com a experiência histórica da guerra de Canudos, gerando um livro complexo e sofisticado que, desde seu lançamento até hoje, permanece no cânone literário brasileiro.

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Publicado

2013-12-31

Como Citar

Schneider, A. L. (2013). Pensamento social e linguagem n’Os Sertões de Euclides da Cunha: entre a ciência europeia e a experiência sertaneja. Cadernos De História Da Ciência, 9(2), 66–90. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2013.v9.34309