Maternalismo e proteção materno-infantil: fenômeno mundial de caráter singular

Autores

  • Maria Martha de Luna Freire Médica; Pós-doutora pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Doutora em História das Ciências e da Saúde pela Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz; Mestre em Saúde da Mulher e da Criança pelo Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz. Professora do Departamento de Planejamento em Saúde e do Mestrado em Saúde Coletiva do Instituto de Saúde da Comunidade da Universidade Federal Fluminense (UFF).

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2011.v7.34369

Palavras-chave:

Maternalismo, proteção materno-infantil, feminismo, maternidade

Resumo

A priorização do chamado binômio mãe-filho como objeto de preocupação social no mundo ocidental a partir de meados do século XIX, intensificando-se no século seguinte, foi um fenômeno amplamente assinalado pela historiografia. Tal priorização associava-se, em especial, ao chamado movimento maternalista, o qual defendia a preponderância do papel de mãe para todas as mulheres. Esse artigo pretende refletir sobre o papel da ideologia maternalista na conformação da proteção materno-infantil nas primeiras décadas do século XX, apontando pressupostos comuns e singularidades.

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Publicado

2011-12-31

Como Citar

Freire, M. M. de L. (2011). Maternalismo e proteção materno-infantil: fenômeno mundial de caráter singular. Cadernos De História Da Ciência, 7(2), 55–70. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2011.v7.34369