Homens, masculinidades e saúde: uma reflexão de gênero na perspectiva histórica

Autores

  • Thiago Félix Pinheiro Pós-graduando em Medicina Preventiva pela Faculdade de Medicina da USP.
  • Márcia Thereza Couto Docente do Programa de Pós-Graduação em Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Universidade Federal de São Paulo.

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2008.v4.35737

Palavras-chave:

Gênero e Saúde, Masculinidade, saúde do homem, história das masculinidades

Resumo

Historicamente, a forma de conceber homens e mulheres na cultura ocidental foi marcada por diferenças e desigualdades tanto conceituais quanto sociais e políticas. Nesse percurso, as mulheres foram submetidas à opressão social e a um processo de medicalização de seu corpo e sexualidade. Em reação, o movimento feminista protestou contra tal submissão e, no intuito de construir uma concepção crítica do feminino, lançou mão da abordagem de gênero como categoria capaz de abranger as características que as concepções de sexo não davam conta. Os homens, por sua vez, permaneceram a maior parte do tempo como o parâmetro normativo de um “modelo natural” e só nas últimas décadas passaram a ser abordados em suas especificidades, sob a ótica de gênero e da construção das masculinidades. O lugar do masculino, portanto, apresenta paradoxos relacionados ao espaço socialmente privilegiado, ao lugar que ocupa na produção de conhecimento em saúde e à atenção que recebe na assistência.

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Publicado

2008-06-30

Como Citar

Pinheiro, T. F., & Couto, M. T. (2008). Homens, masculinidades e saúde: uma reflexão de gênero na perspectiva histórica. Cadernos De História Da Ciência, 4(1), 53–67. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2008.v4.35737