Determinismo climático e salubridade amazônica na percepção de Bates e Wallace

Autores

  • José Jerônimo de Alencar Alves Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal do Pará.

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2008.v4.35746

Palavras-chave:

história, ciência, ambiente, saúde, naturalista

Resumo

O interesse pela implicação do meio ambiente na vida do ser humano tornou-se efervescente nos dias de hoje. É um interesse renovado, pois ele era bastante acentuado antes da emergência do paradigma darwinista, claro que, com as características da época. O determinismo climático e outros temas que o Iluminismo colocou em evidência permaneciam no centro das discussões dos naturalistas quando Bates e Wallace residiram na Amazônia. Embora sejam mais conhecidos por suas contribuições, respectivamente, ao mimetismo dos insetos e à evolução das espécies, eles não deixaram de discutir as questões ambientais. Estas questões são analisadas pelo presente artigo, que aponta a experiência dos dois naturalistas na Amazônia como decisiva para aumentar suas dúvidas quanto ao determinismo climático e quanto à insalubridade dos trópicos. Desse modo, suas idéias são bem significativas de um contexto em que o velho paradigma fundado neste determinismo estava em crise.

Referências

Albuquerque et al. Doenças Tropicais. Da ciência dos valores a valorização da ciência de determinação climática da patologia. Ciência e Saúde Coletiva 1999; 4(2):423-31.
Alves JJ. A Ciência Pasteuriana e o Projeto Dominante de Higiene e Modernização na Primeira República. In: Dias et al (orgs) Perspectivas em Epistemologia e História das Ciências. Bahia, UFBa/UEFS, 181-93.
Battes HW. Um naturalista no rio Amazonas. Belo Horizonte/São Paulo, Itatiaia/Edusp, 1979.
Daou AM. A belle époque amazônica. Rio de Janeiro, Zahar, 2000; p. 12-6.
Edwards W. A voyage up the River Amazon: including a residence at Pará. New York, Cornell University, 1991.
Edler FC. De olho no Brasil: A Geografia Médica e a viagem de Aphonse Rendu. História, Ciência e Saúde 2001;8:925-43.
Ferreira R. Battes, Darwin, Wallace e a Teoria da Evolução. Brasília/São Paulo, UNB/Edusp, 1990.
Foucault M. As Palavras e as Coisas. São Paulo: Martins Fontes, 1987._________. História da Sexualidade, Rio de Janeiro, Graal, 1984.
Knight DM. Travel and science in Brazil. História, Ciências, Saúde-Manguinhos 2001;8 (supl):809-22.
Kuhn T. A Estrutura das Revoluções Científicas, São Paulo, Perspectiva, 1987.
Latour B. Jamais fomos modernos. Rio de Janeiro, Editora 34, 1994.
Kury L. Viajantes naturalistas no Brasil Oitocentista: experiência, relato e imagem. História, Ciência e Saúde 2001, vol. VIII (suplemento).
Marques VRB. A medicalização da raça: médicos, educadores e discurso eugênico, Campinas, Unicamp, 1994.
Ventura R. Estilo Tropical. São Paulo, Cia das Letras, 1991; p. 19-29.
Wallace AR. Viagens pelos rios Amazonas e Negro, Belo Horizonte, Itatiaia, 1979.

Downloads

Publicado

2008-12-31

Como Citar

Alves, J. J. de A. (2008). Determinismo climático e salubridade amazônica na percepção de Bates e Wallace . Cadernos De História Da Ciência, 4(2), 37–50. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2008.v4.35746