Um tratamento de choque: a aplicação da malarioterapia no Hospital do Juquery (1925 – 1940)

Autores

  • Gustavo Querodia Tarelow Mestrando em História Social pela Universidade de São Paulo sob a orientação da Professora Dra. Maria Amélia Mascarenhas Dantes. Licenciado em História pela Universidade do Grande ABC

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2009.v5.35758

Palavras-chave:

Malarioterapia, História da Psiquiatria, Juquery, Terapias biológicas

Resumo

O presente trabalho analisa o processo de consolidação da Malarioterapia como uma terapêutica específica e legitimada, conferindo maior credibilidade à Psiquiatria que, no período em questão, buscava a sua consolidação entre as práticas médicas. Para tanto, busca traçar um quadro geral sobre a Psiquiatria paulista e sobre as intervenções terapêuticas que eram aplicadas nos pacientes do Hospital do Juquery, para, desta forma, elucidar as razões que levaram os psiquiatras, sobretudo o diretor daquele estabelecimento, Dr. A.C. Pacheco e Silva, a optar pelo uso deste método, incipiente até então. Assim, demonstra que o modelo de intervenção inaugurado pela Malarioterapia, ou seja, a do “choque humoral”, se tornou a base para as terapias desenvolvidas posteriormente, conhecidas como “terapias biológicas”, como a convulsoterapia e os comas induzidos, por exemplo.

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Publicado

2009-06-30

Como Citar

Tarelow, G. Q. (2009). Um tratamento de choque: a aplicação da malarioterapia no Hospital do Juquery (1925 – 1940). Cadernos De História Da Ciência, 5(1), 8–22. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2009.v5.35758

Edição

Seção

Artigo Original