Utopia ao avesso nas cidades muradas da hanseníase: apontamentos para a documentação arquitetônica e urbanística das colônias de leprosos no Brasil

Autores

  • Ana Albano Amora Professora e Pesquisadora - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio de Janeiro – FAU/UFRJ e PGAU-Cidade/ UFSC - Arquiteta e Urbanista. Doutora em Planejamento Urbano e Regional

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2009.v5.35759

Palavras-chave:

História da lepra, Arquitetura da saúde, Institucionalização, Cidades hospitais

Resumo

Neste artigo abordamos a história das colônias de leprosos no Brasil a partir de um enfoque arquitetônico e urbanístico, especificamente um tipo desses lugares com características urbanas e que optamos denominar cidades hospitais. Essas cidades hospitais foram principalmente construídas durante o primeiro governo de Getulio Vargas -1930/1945, e tornaram-se a principal política estatal para a doença. Acreditamos que a origem desses espaços esteja conectada dentro da história do pensamento ao conceito de utopia desenvolvido no século XVI, de um lugar totalmente novo onde fosse possível se criar uma nova sociedade, e mais recentemente no século XIX às novas propostas de sociedades e cidades. Durante a administração Vargas esse conceito foi uma referência para o desenvolvimento dessa nova tipologia de colônia, nas quais seria possível apartar o doente da sociedade, mas ao mesmo tempo recriar em confinamento uma vida social com os valores nacionais requeridos pelo governo. Finalmente, indicamos alguns pontos a serem considerados na documentação e análise desses hospitais.

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Publicado

2009-06-30

Como Citar

Amora, A. A. (2009). Utopia ao avesso nas cidades muradas da hanseníase: apontamentos para a documentação arquitetônica e urbanística das colônias de leprosos no Brasil. Cadernos De História Da Ciência, 5(1), 23–53. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2009.v5.35759

Edição

Seção

Artigo Original