O Código Sanitário Estadual de 1918 e a Epidemia de Gripe Espanhola

Autores

  • Ivomar Gomes Duarte Médico Sanitarista-Pesquisador Associado do Laboratório de História da Ciência do Instituto Butantan - São Paulo. Doutor em Ciências do Programa de Pós Graduação do CCD-SESSP

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2009.v5.35760

Palavras-chave:

Código Sanitário, Condições Sociais, Gripe Epidêmica, Vigilância Sanitária, Direito Sanitário, Sanitary Code, Social Conditions, Epidemic Influenza, Health Surveillance, Health law

Resumo

Este trabalho busca relacionar a repercussão causada pela epidemia de gripe espanhola na implantação de um Código Sanitário em São Paulo, que visava regular a vida das pessoas e da comunidade. No ambiente impactado por uma pandemia, com condições sociais caóticas, as regras, normas e rotinas ficaram relativizadas em função dessa crise maior. O Código, de inspiração no modelo de polícia médica, era composto por 800 artigos de minucioso regramento sanitário, acabou sendo superado pela velocidade dos acontecimentos e violência da epidemia de gripe e pelo desarranjo social por ela causado. Com o tempo, esse código se consolidou como instrumento legal, sendo alterado e emendado ao longo dos anos, vigorando até 1970, quando foi substituído.

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Publicado

2009-06-30

Como Citar

Duarte, I. G. (2009). O Código Sanitário Estadual de 1918 e a Epidemia de Gripe Espanhola. Cadernos De História Da Ciência, 5(1), 55–73. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2009.v5.35760

Edição

Seção

Artigo Original