Hansenologia Internationalis: hanseníase e outras doenças infecciosas https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia <p>A revista Hansenologia Internationalis: hanseníase e outras doenças infecciosas, é um veículo oficial de divulgação científica, multidisciplinar e de acesso aberto do Instituto Lauro de Souza Lima, pertencente à Coordenadoria de Serviços de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.</p> <p>Tem como foco publicar e divulgar o conhecimento científico produzido na área da hansenologia e outras doenças infecciosas, com manifestações dermatológicas. Os manuscritos publicados obedecem aos rigores metodológicos da pesquisa científica e aos princípios éticos em pesquisa envolvendo seres humanos e animais experimentais. São publicados em linguagem formal e de fácil compreensão favorecendo o aprendizado dos profissionais que atuam na área de assistência à saúde.</p> <p><span style="font-size: 0.875rem;">O escopo da revista inclui os aspectos epidemiológicos e controle da hanseníase, manifestações clínicas dermatoneurológicas da doença, protocolos farmacoterapêuticos, laboratoriais para auxílio diagnóstico e avaliação de falha terapêutica, empregando técnicas de biologia molecular, genética, imunologia, microbiologia e dermatopatologia da hanseníase. Também publica manuscritos com foco em prevenção de incapacidades, reabilitação, história da hanseníase, direitos humanos, ciências sociais, educação em saúde, gestão de serviços e inovação tecnológica na área.</span></p> Instituto Lauro de Souza Lima da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo pt-BR Hansenologia Internationalis: hanseníase e outras doenças infecciosas 1982-5161 <p>Este periódico está licenciado sob uma&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" target="_blank" rel="license noopener">Creative Commons Attribution 4.0 International License</a>.</p> Perfil clínico-epidemiológico dos casos de hanseníase dos estados da região Nordeste do Brasil no período de 2018-2022 https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/40505 <p>Introdução: um dos desafios para o controle da hanseníase no Brasil é a falta de reconhecimento do panorama local da doença na análise do perfil sociodemográfico e clínico. Objetivo: analisar o perfil clínico-epidemiológico dos casos de hanseníase dos estados da região Nordeste do Brasil no período de 2018-2022. Métodos: este estudo ecológico foi realizado utilizando dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e População Residente disponibilizados pelo Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde. Foram selecionados casos notificados de hanseníase no Brasil, região Nordeste e seus estados, durante o período de 2018 a 2022. Resultados: a região Nordeste obteve maior número de casos da doença. Mais de 50% dos casos ocorreram em homens, pessoas pardas e na faixa etária entre 20-59 anos. Foi observada queda considerável da prevalência em 2020 com aumento nos anos subsequentes. Os estados da região obtiveram características semelhantes. Maranhão apresentou o maior número de casos absolutos e prevalência. Conclusão: os resultados revelaram compatibilidade do perfil clínico-epidemiológico do Nordeste com outras regiões endêmicas, destacando a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica e promover ações educativas direcionadas às populações vulnerabilizadas, visando ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado.</p> Marília Dias Bezerra Santos Érika Larissa Afonso Carinhanha Filipe Stenio de Carvalho Pereira da Silva Giovanna Afonso Carinhanha Bárbara Lopes Ribeiro Michelle Queiroz Aguiar Brasil Copyright (c) 2025 Marília Dias Bezerra Santos, Érika Larissa Afonso Carinhanha, Filipe Stenio de Carvalho Pereira da Silva, Giovanna Afonso Carinhanha, Bárbara Lopes Ribeiro, Michelle Queiroz Aguiar Brasil https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-02-25 2025-02-25 50 e40505 e40505 10.47878/hi.2025.v.50.40505 Perfil epidemiológico da hanseníase no estado do Rio Grande do Sul de 2018 a 2022 https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/40661 <p>Introdução: a hanseníase é uma doença infectocontagiosa e sistêmica, causada pelo <em>Mycobacterium leprae</em>, caracterizada por lesões de pele e nervos periféricos. Apresenta uma distribuição heterogênea no território nacional, trazendo questionamento sobre os fatores que poderiam explicar a diferença entre os estados. Objetivo: analisar os casos de hanseníase no estado do Rio Grande do Sul de 2018 a 2022 para compreender os fatores contribuintes ao cenário. Métodos: estudo observacional descritivo transversal realizado mediante coleta de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. As notificações de hanseníase do estado foram analisadas segundo as variáveis: sexo, raça, escolaridade, faixa etária e forma clínica, juntamente à taxa de detecção. Resultados: nesse período, o Rio Grande do Sul foi o terceiro estado com menos casos de hanseníase, com 620 notificações. A maior parte ocorreu em indivíduos do sexo masculino, faixa etária de 60-69 anos, nível de escolaridade de 5ª a 8ª série incompleta do Ensino Fundamental e autodeclarados brancos. O grau de incapacidade física 0 foi de maior frequência, assim como a forma clínica dimorfa, seguida pela virchowiana. Os indicadores de saneamento básico apresentaram condições ainda deficitárias, entretanto, os de cobertura vacinal com BCG estavam acima da média brasileira. Discussão: a elevada incidência de casos entre homens no Rio Grande do Sul é congruente com a literatura existente e não aparenta estar relacionada com a característica demográfica do estado. A predominância de casos em indivíduos de pele branca apresenta uma correlação direta com a composição étnico-racial da população deste estado. Os dados sobre a escolaridade encontrados destacam a baixa instrução como uma característica importante entre os portadores de hanseníase. Ademais, a predominância de casos multibacilares da hanseníase sugere que o Rio Grande do Sul apresenta uma endemia antiga e predominantemente estabilizada. Conclusão: o estado analisado não apresenta o menor número bruto de casos de hanseníase, entretanto, manifesta menores valores da taxa de detecção. Apesar da pesquisa possuir limitações por proceder de uma base de dados secundária, evidencia-se que é fundamental a implementação de educação em saúde visto a transmissão da doença.</p> Amanda Fortes Cavalcante de Oliveira Isabela Nishimura Megiani Gustavo Henrique Ribeiro Júlia Scotellaro Guimarães Guilherme Andrade Ruela Copyright (c) 2025 Amanda Fortes Cavalcante de Oliveira, Isabela Nishimura Megiani, Gustavo Henrique Ribeiro, Júlia Scotellaro Guimarães, Guilherme Andrade Ruela https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-02-25 2025-02-25 50 e40661 e40661 10.47878/hi.2025.v.50.40661 A jornada de uma mulher com eritema nodoso hansênico https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/40657 <p>Introdução: a hanseníase é uma doença crônica e negligenciada, especialmente no Brasil, onde persistem desafios significativos de diagnóstico e tratamento. Objetivo: relatar o acompanhamento de uma paciente com hanseníase que apresenta complexidade do quadro clínico, incluindo sintomas reacionais graves, como o eritema nodoso hansênico. Descrição do caso: paciente feminina, 28 anos, residente em Sorocaba, no estado de São Paulo, Brasil, com histórico de lesões nodulares eritematosas desde 2015. Durante atendimento em convênio médico, foi tratada com medicamentos tópicos e metotrexato para síndrome do anticorpo antifosfolipídeo. Relatou dificuldades no agendamento de consultas e a inadequada abordagem na Atenção Primária à Saúde. Em 2019, referida à Policlínica Municipal e após biópsia de lesão no antebraço e dorso do pé esquerdo, o diagnóstico foi compatível com eritema nodoso. No ano seguinte, após nova consulta, foi diagnosticada com hanseníase virchowiana, multibacilar, grau 2 de incapacidade física, associada à reação tipo 2, e iniciou o tratamento com poliquimioterapia. Em 2021, apresentou sintomas graves, como náuseas, febre, nódulos não ulcerados, manchas pelo corpo, dores generalizadas, edema nos membros inferiores e cefaleia, prejudicando sua capacidade de realizar atividades diárias. Continuou o tratamento com a poliquimioterapia até ser encaminhada ao Instituto Lauro de Souza Lima, em 2022. Apesar do tratamento domiciliar, foi necessário hospitalizá-la em 2023. Relata que está em tratamento para o quadro reacional, não recebe benefícios financeiros e está impossibilitada de trabalhar. Conclusão: diante do exposto, considera-se que a hanseníase exige detecção precoce, capacitação profissional e políticas públicas eficazes. Destacam-se os desafios enfrentados por mulheres, agravados pelo estigma social, reforçando a necessidade de cuidados integrados, humanizados e multiprofissionais para garantir qualidade no manejo da doença historicamente negligenciada.</p> Elcie Aparecida Braga Oliveira Cássia Marques da Rocha Hoelz Laudiceia Rodrigues Crivelaro Natanael da Costa Beatriz da Rocha Neves Copyright (c) 2025 Elcie Aparecida Braga Oliveira, Cássia Marques da Rocha Hoelz, Laudiceia Rodrigues Crivelaro, Natanael da Costa, Beatriz da Rocha Neves https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-02-26 2025-02-26 50 e40657 e40657 10.47878/hi.2025.v.50.40657