Soroprevalência e determinantes sociais de sífilis em uma penitenciária feminina do interior do estado de São Paulo

  • Paulo Eduardo de Mesquita Universidade do Oeste Paulista
  • Adriano Messias de Souza Universidade do Oeste Paulista
  • Karen Sayuri Sato Universidade do Oeste Paulista
  • Vanessa Laura dos Santos Universidade do Oeste Paulista
  • Azania Mahim José Libano Silva Universidade do Oeste Paulista
  • Gabriela Melo Nogueira Universidade do Oeste Paulista
  • Ingrid Eloise Trombine Batista Universidade do Oeste Paulista
  • Isabela Melo Nogueira Universidade do Oeste Paulista
  • Milena Ferruzzi Ederli Universidade do Oeste Paulista
  • Marilia Ferruzzi Ederli Universidade do Oeste Paulista
  • Édima de Souza Mattos Universidade do Oeste Paulista
Palavras-chave: Sífilis, Mulheres, Penitenciárias, Epidemiologia, Determinantes Sociais da Saúde

Resumo

Objetivo: Estimar a prevalência de Sífilis em mulheres privadas de liberdade daPenitenciária feminina de Tupi Paulista/SP e os determinantes sociais da saúde associadosà sua prevalência. Métodos: Esta é uma pesquisa transversal, investigativa de campo, comseleção randomizada das participantes. Após assinatura do TCLE, foram realizadas entrevistasindividuais para coleta de fatores sócio demográficos e o teste rápido treponêmico paracoleta das amostras de sangue para posterior análise da soroprevalência. Estatísticadescritiva foi calculada para reportar as características da amostra e análises de regressãologística univariada e multivariada foram utilizadas para investigar a associação entre ascaracterísticas da amostra e a prevalência de sífilis e obter Razão de Chance (RC) e 95%Intervalo de Confiança (IC). Resultados: A amostra final do presente estudo foi constituídade 289 participantes, sendo que os resultados dos testes treponêmicos detectaramsífilis em 16 mulheres da penitenciária feminina (5,5%). Apenas o uso de drogas ilícitaspermaneceu no modelo final demonstrando associação significativa com a prevalência desífilis. Houve associação entre as participantes que relataram usar drogas ilícitas há maisde 5 anos comparada com aquelas que reportaram não serem usuárias com a ocorrênciade sífilis (RC: 5,44; 95% IC: 1,10; 27,05). Conclusão: Nosso estudo encontrou prevalênciade soropositividade do teste treponêmico para sífilis no grupo de reeducandas do PresídioFeminino de Tupi Paulista de 5,5%. O uso de drogas foi o único fator que apresentou correlaçãosignificante com a soropositividade do teste treponêmico na análise multivariada.

Referências

1. Ministério da Saúde Brasil. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da
Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Brasília: Brasil, 2019 [acesso em 10
fev 2021]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/system/tdf/pub/2016/57801/miolo_
pcdt_tv_08_2019.pdf?file=1&type=node&id=57801&force=1.

2. Korenromp EL, Rowley J, Alonso M et al. Global burden of maternal and congenital syphilis
and associated adverse birth outcomes. Estimates for 2016 and progress since 2012. PLOS
ONE. 2019;14(2):e0211720.

3. Ministério da Saúde Brasil. Boletim Epidemiológico de Sífilis - 2017. Brasília: Brasil,
2017 [acesso em 10 fev 2021]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/system/tdf/
pub/2016/65020/boletim_sifilis_11_2017.pdf?file=1&type=node&id=65020&force=1.

4. Fazel S, Baillargeon J. The health of prisoners. Lancet (London, England).
2011;377(9769):956-65.

5. Ministério da Justiça (Brasil). Portaria Interministerial nº 210, de 16 de janeiro de 2014.
Institui a Política Nacional de Atençã o às Mulheres em Situaçã o de Privaçã o de Liberdade e
Egressas do Sistema Prisional. Brasília: Brasil, 2014.

6. Matida LH, Júnior ANR, Placco AL et al. O HIV e a sífilis no sis tema prisional feminino do
estado de São Paulo: relatório final. São Paulo, 2015 [acesso em 10 fev 2021]. Disponível
em: https://www.researchgate.net/publication/280775284_HIV_e_a_Sifilis_no_Sistema_
Prisional_Feminino_do_Estado_de_Sao_Paulo.

7. Vasconcelos DSV, Queiroz RFF, Calixto GAM. A precariedade no sistema penitenciário
brasileiro – violação dos direitos humanos. Revista Âmbito Jurídico [Internet]. 2011 [acesso
em 10 fev 2021] 14 Jan 2021; XIV(92). Disponív el em: https://ambitojuridico.com.br/
cadernos/direito-penal/a-precariedade-no-sistema-penitenciario-brasileiro-violacao-dosdireitos-
humanos/.

8. Kouyoumdjian FG, Leto D, John S, Henein H, Bondy S. A systematic review and metaanalysis
of the prevalence of chlamydia, gonorrhoea and syphilis in incarcerated persons.
International journal of STD & AIDS. 2012;23(4):248-54.

9. Bolfarine H, Bussab WO. Elementos de amostragem. Porto Alegre: Bookman; 2005.

10. Javanbakht M, Boudov M, Anderson LJ et al. Sexually transmitted infections among
incarcerated women: findings from a decade of screening in a Los Angeles County Jail,
2002-2012. American journal of public health. 2014;104(11):e103-9.

11. Bautista-Arredondo S, González A, Servan-Mori E et al. A Cross-Sectional Study of Prisoners
in Mexico City Comparing Prevalence of Transmissible Infections and Chronic Diseases with
That in the General Population. PLoS One. 2015;10(7):e0131718.

12. Garaycochea MdC, Pino R, Chávez I et al. Infecciones de transmisión sexual en mujeres de
un establecimiento penitenciario de Lima, Perú. Revista Peruana de Medicina Experimental
y Salud Publica. 2013;30:423-7.

13. Guinsburg R, Santos AMNd. Critérios diagnósticos e tratamento da sífilis congênita. São
Paulo: Departamento de Neonatologia, Sociedade Brasileira de Pediatria. 2010.

14. Domingues RMSM, Leal MdC. Incidência de sífilis congênita e fatores associados à
transmissão vertical da sífilis: dados do estudo Nascer no Brasil. Cadernos de Saúde
Pública. 2016;32.

15. Domingues RMSM, Leal MdC, Pereira APE, Ayres B, Sánchez AR, Larouzé B. Prevalence of
syphilis and HIV infection during pregnancy in incarcerated women and the incidence of
congenital syphilis in births in prison in Br azil. Cadernos de Saúde Pública. 2017;33.

16. Batista MIHdM, Paulino MR, Castro KS, Gueiros LAM, Leão JC, Carvalho AAT. High
prevalence of syphilis in a female prison unit in Northeastern Brazil. Einstein (São Paulo).
2020;18.

17. da Silva Santana R, Kerr L, Mota RS, Kendall C, Rutherford G, McFarland W. Lifetime
Syphilis Prevalence and Associated Risk Factors Among Female Prisoners in Brazil. Sexually
transmitted diseases. 2020;47(2):105-10.

18. Araújo TME, Araujo Filho ACA, Feitosa KVA. Syphilis prevalence among women in the
prison system of a northeastern Brazilian capital. Rev Eletr Enf [Internet]. 2015 [acesso
em 10 fev 2021] 14 Set 2020; 17(4). Disponível em: https://revistas.ufg.br/fen/article/
view/28898/20685

19. Miranda AE, Vargas PM, St Louis ME, Viana MC. Sexually transmitted diseases among
female prisoners in Brazil: prevalence and risk factors. Sexually transmitted diseases.
2000;27(9):491-5.

20. Burattini MN, Massad E, Rozman M, Azevedo RS, Carvalho HB. Correlation between HIV
and HCV in Brazilian prisoners: evidence for parenteral transmission inside prison. Revista
de Saúde Pública. 2000;34:431-6.

21. Sgarbi RV, Carbone Ada S, Paião DS et al. A Cross-Sectional Survey of HIV Testing and
Prevalence in Twelve Brazilian Correctional Facilities. PLoS One. 2015;10(10):e0139487.

22. Ministério da Saúde Brasil. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com
Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Brasil, 2016 [acessoem 10 fev 2021]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/system/tdf/pub/2016/57800/
pcdt_ist_final_revisado_020420.pdf?file=1&type=node&id=57800&force=1.

23. Kojima N, Klausner JD. An Update on the Global Epidemiology of S yphilis. Curr Epidemiol
Rep. 2018;5(1):24-38.
Publicado
2021-10-31
Como Citar
1.
Eduardo de Mesquita P, Messias de Souza A, Sayuri Sato K, Laura dos Santos V, Mahim José Libano Silva A, Melo Nogueira G, Eloise Trombine Batista I, Melo Nogueira I, Ferruzzi Ederli M, Ferruzzi Ederli M, de Souza Mattos Édima. Soroprevalência e determinantes sociais de sífilis em uma penitenciária feminina do interior do estado de São Paulo. Bepa [Internet]. 31º de outubro de 2021 [citado 28º de novembro de 2021];18(214):36-1. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/index.php/BEPA182/article/view/37201
Seção
Artigo Original