Verificação de adulterações em cúrcuma, gengibre, noz-moscada, páprica, pimenta-do-reino e colorífico, comercializados no estado de São Paulo, Brasil. (Parte II)

  • Sonia de Paula Toledo Prado Núcleo de Ciências Químicas e Bromatológicas, Centro de Laboratório Regional de Ribeirão Preto, Instituto Adolfo Lutz, Ribeirão Preto, SP, Brasil
  • Matheus Leandro Rodrigues Núcleo de Ciências Químicas e Bromatológicas, Centro de Laboratório Regional de Ribeirão Preto, Instituto Adolfo Lutz, Ribeirão Preto, SP, Brasil
  • Cinthia Iara de Aquino Núcleo de Ciências Químicas e Bromatológicas, Centro de Laboratório Regional de Ribeirão Preto, Instituto Adolfo Lutz, Ribeirão Preto, SP, Brasil
  • Isaura Akemi Okada Núcleo de Ciências Químicas e Bromatológicas, Centro de Laboratório Regional de Ribeirão Preto, Instituto Adolfo Lutz, Ribeirão Preto, SP, Brasil
  • Maria Helena Iha Núcleo de Ciências Químicas e Bromatológicas, Centro de Laboratório Regional de Ribeirão Preto, Instituto Adolfo Lutz, Ribeirão Preto, SP, Brasil
Palavras-chave: Especiarias, Cromatografia, Microscopia, Legislação sobre Alimentos, Fraude

Resumo

Especiarias são produtos constituídos de partes de espécies vegetais com importante valor alimentício e diversos benefícios para a saúde. O objetivo deste trabalho foi pesquisar adulterações na composição de cúrcuma (Curcuma longa Linnaeus), gengibre (Zingiber officinale Roscoe), noz-moscada (Myristica fragrans Houttuyn), páprica (Capsicum annuum Linnaeus), pimenta-do-reino (Piper nigrum Linnaeus) e colorífico (mistura de urucum, Bixa orellana Linnaeus, com fubá). Foram analisadas 180 amostras adquiridas em municípios do estado de São Paulo. A investigação dos elementos histológicos foi feita por microscopia óptica, a análise dos corantes por cromatografia em papel e a quantificação da bixina por cromatografia líquida de alta eficiência. Das amostras analisadas, 16,1% apresentaram elementos histológicos estranhos ao produto, sendo que nenhuma amostra apresentou corante orgânico artificial. A concentração de bixina nas amostras de colorífico variou entre 0,6 e 105,3 mg/100g, com média de 18,9 mg/100g e desvio padrão de 17,7 mg/100g. A avaliação microscópica revelou que a maioria das adulterações ocorre pela adição de amido de Zea mays. O colorífico não apresentou adulterações, porém foi constatada a necessidade de uma padronização da concentração de bixina. Este estudo demonstrou a necessidade da intensificação do monitoramento de adulterações em especiarias para que a comercialização de alimentos fidedignos seja garantida.

Referências

1. Ministério da Saúde (BR). Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº. 276, de 22 de setembro de 2005. Aprova o Regulamento Técnico para Especiarias, Temperos e Molhos. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 23 set 2005. Seção 1(184):378-9.

2. Shahidi F, Ambigaipalan P. Phenolics and polyphenolics in foods, beverages and spices: antioxidant activity and health effects – A review. J Funct Foods. 2015;18:820-97. https://doi.org/10.1016/j.jff.2015.06.018

3. Srinivasan K. Role of spices beyond food flavoring: nutraceuticals with multiple health effects. Food Rev Int. 2005;21(2):167-188. https://doi.org/10.1081/FRI-200051872

4. Jiang TA. Health benefits of culinary herbs and spices. J AOAC Int. 2019;102(2): 395-411. https://doi.org/10.5740/jaoacint.18-0418

5. Embuscado ME. Spices and herbs: Natural sources of antioxidants–a mini review. J Funct Foods. 2015;18:811-9. https://doi.org/10.1016/j.jff.2015.03.005

6. Ganjre A, Kathariya R, Bagul N, Pawar V. Anti-carcinogenic and anti-bacterial properties of selected spices: implications in oral health. Clin Nutr Res. 2015;4(4), 209-15. http://dx.doi.org/10.7762/cnr.2015.4.4.209

7. Sriwiriyajan S, Tedasen A, Lailerd N, Boonyaphiphat P, Nitiruangjarat A, Deng Y et al. Anti-cancer and cancer preventive effects of a piperine free Piper nigrum extract on N-nitrosomethylurea induced mammary tumorigenesis in rats. Cancer Prev Res. 2016;9(1):74-82. http://dx.doi.org/10.1158/1940-6207.capr-15-0127

8. Xie L, Xiang GH, Tang T, Tang Y, Zhao LY, Liu D et al. Capsaicin and dihydrocapsaicin induce apoptosis in human glioma cells via ROS and Ca2+-mediated mitochondrial pathway. Mol Med Rep. 2016;14(5):4198-4208. https://doi.org/10.3892/mmr.2016.5784

9. Raddatz-Mota D, Pérez-Flores LJ, Carrari F, Mendoza-Espinoza JA, de León-Sánchez FD, Pinzón-López LL et al. Achiote (Bixa orellana L.): a natural source of pigment and vitamin E. J Food Sci Technol. 2017;54(6):1729-41. https://doi.org/10.1007/s13197-017-2579-7

10. D’Souza SP, Chavannavar SV, Kanchanashri B, Niveditha SB. Pharmaceutical perspectives of spices and condiments as alternative antimicrobial remedy. J Evid Based Complementary Altern Med. 2017;22(4):1002-10. https://doi.org/10.1177/2156587217703214

11. Matulyte I, Jekabsone A, Jankauskaite L, Zavistanaviciute P, Sakiene V, Bartkiene E et al. The essential oil and hydrolats from Myristica fragrans seeds with magnesium aluminometasilicate as excipient: antioxidant, antibacterial, and anti-inflammatory activity. Foods. 2020;9(1):37. https://doi.org/10.3390/foods9010037

12. Spink J, Moyer DC. Defining the public health threat of food fraud. J Food Sci. 2011;76(9): R157-63. https://doi.org/10.1111/j.1750-3841.2011.02417.x

13. Van Ruth SM, Huisman W, Luning PA. Food fraud vulnerability and its key factors. Trends Food Sci Technol. 2017;67:70-75. https://doi.org/10.1016/j.tifs.2017.06.017

14. Global Food Safety Initiative (GFSI) Tackling Food Fraud Through Food Safety Management Systems. 2018 [acesso 2020 Jun 23]. Disponível em: https://mygfsi.com/wp-content/uploads/2019/09/Food-Fraud-GFSI-Technical-Document.pdf

15. Spink J, Ortega DL, Chen C, Wu F. Food fraud prevention shifts the food risk focus to vulnerability. Trends Food Sci Technol. 2017;62:215-20. https://doi.org/10.1016/j.tifs.2017.02.012

16. Moyer DC, Devries JW, Spink J. The economics of a food fraud incident–Case studies and examples including Melamine in Wheat Gluten. Food Control. 2017;71:358-64. https://doi.org/10.1016/j.foodcont.2016.07.015

17. Brasil. Código de proteção e defesa do consumidor (1990). Legislação brasileira de proteção e defesa do consumidor: Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências, e legislação correlata. 8. ed. Brasília: Câmara dos Deputados; Edições Câmara, 2014.

18. Ministério da Saúde (BR). Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada nº 259, de 20 de setembro de 2002. Aprova o regulamento técnico sobre rotulagem de alimentos embalados e revoga a Portaria nº 42, de 14 de janeiro de 1998. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 23 set 2002. Seção 1(184):33-4.

19. Marques CA, Nascimento XP, de França LB, Freitas ACL, Rocha LS, Nery, IA. Análise microscópica em amostras de doces comercializados no estado do Rio de Janeiro. Revista Eletrônica Perspectivas da Ciência e Tecnologia. 2016[acesso 20 ago 2020];8(2):29. Disponível em: https://revistascientificas.ifrj.edu.br/revista/index.php/revistapct/article/view/691/471

20. Assis NM, Marques CA, Silva MC. Avaliação microscópica de amostras comerciais de café. Segur Aliment Nutr. 2020;27:1-13. https://dx.doi.org/10.20396/san.v27i0.8658921

21. Instituto Adolfo Lutz (São Paulo – Brasil). Métodos físico-químicos para análise de alimentos: normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz. Zenebon O, Pascuet NS, Tiglea P, coordenadores. 6. ed. São Paulo (SP): Instituto Adolfo Lutz; 2008. 1020 p. Disponível em: http://www.ial.sp.gov.br/resources/editorinplace/ial/2016_3_19/analisedealimentosial_2008.pdf

22. Ministério da Saúde (BR). Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada nº. 4, de 17 de janeiro de 2007, aprovar o Regulamento Técnico sobre “Atribuição de Aditivos e seus Limites Máximos para a Categoria de Alimentos 13: Molhos e Condimentos”. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 17 jan 2002. Seção 1(12):47-55.

23. Fabri EG, Teramoto JRS. Urucum: fonte de corantes naturais. Hortic Bras. 2015;33(1):140. https://doi.org/10.1590/s0102-053620150000100023

24. Tocchini L, Mercadante AZ. Extração e determinação, por CLAE, de bixina e norbixina em coloríficos. Food Sci Technol. 2001;21(3):310-3. https://doi.org/10.1590/s0101-20612001000300010

25. Rodrigues RM, Atui MB, Correia M, Zamboni CDQ, Alves HI, Silva ICDA et al. Métodos de Análise Microscópica de Alimentos: Isolamento de Elementos Histológicos. São Paulo: Letras & Letras; 1999.

26. Winton AL, Winton KB. The structure and composition of foods. Vol. 3. New York: J Wiley & Sons; 1937.

27. Menezes-Junior JBF. Investigações sobre o exame microscópico de algumas substâncias alimentícias. São Paulo: Rev Inst Adolfo Lutz. 1949;9(1-2):18-77. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/index.php/RIAL/article/view/33185/32017

28. Attokaran, M. Natural food flavors and colorants. 2. ed. Oxford: John Wiley & Sons; 2017.

29. Pauli-Yamada LF, Aquino CI, Silva AM, Marciano MAM, Mattos EC, Dimov MN. Estudo microscópico de páprica (Capsicum annumm L.): detecção de fraudes e matérias estranhas. Vigil Sanit Debate. 2021;9(1):123-8. https://doi.org/10.22239/2317-269x.01431

30. Almeida RLJ, Santos NC, Luiz MR. Controle de qualidade do percentual de bixina em coloríficos comercializados em Campina Grande. Rev Bras Agrotec. 2017;7(2):190-3.
Publicado
2021-12-30
Como Citar
Prado, S. de P. T., Rodrigues, M. L., Aquino, C. I. de, Okada, I. A., & Iha, M. H. (2021). Verificação de adulterações em cúrcuma, gengibre, noz-moscada, páprica, pimenta-do-reino e colorífico, comercializados no estado de São Paulo, Brasil. (Parte II). Revista Do Instituto Adolfo Lutz, 80, 1-10. https://doi.org/10.53393/rial.2021.v80.37287
Seção
ARTIGO ORIGINAL