“Manda fazer o de HIV”: narrativas de mulheres soropositivas na segunda década da epidemia de Aids (1990)

Autores

  • Eliza da Silva Vianna Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS/ COC/Fiocruz).

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2016.v12.33863

Palavras-chave:

história das doenças, Aids, gênero

Resumo

O presente trabalho faz parte da pesquisa intitulada Aids por elas: feminização da soropositividade na segunda década da epidemia (1990), cujo
objetivo constitui compreender a relação entre os modelos de comportamento historicamente associados ao gênero feminino e o aumento de casos de soropositividade entre mulheres nos anos 1990. Para tanto, analisamos qualitativamente a experiência de mulheres que participaram do Grupo Pela Valorização, Integração e Dignidade do doente de Aids (Grupo Pela Vidda) e/ou escreveram autobiografias. Discutimos aqui algumas nuances identificadas na relação que as mulheres estudadas constroem com a experiência do adoecimento e o envolvimento público com a doença. A análise das fontes mostra que a revelação do diagnóstico e o comprometimento com o grupo de apoio e/ou a escrita autobiográfica representam um compromisso público que altera a concepção que essas mulheres têm de si mesmas, bem como provocam fissuras na representação social da Aids no período.

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Publicado

2016-06-30

Como Citar

Vianna, E. da S. (2016). “Manda fazer o de HIV”: narrativas de mulheres soropositivas na segunda década da epidemia de Aids (1990). Cadernos De História Da Ciência, 12(1), 210–231. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2016.v12.33863

Edição

Seção

Artigo Original