Comissão Científica de Exploração: uma experiência de transição no fazer científico brasileiro

Autores

  • Karoline Viana Teixeira Doutoranda em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC)

DOI:

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2013.v9.34308

Palavras-chave:

Comissão Científica de Exploração, história natural, nação

Resumo

Em sua época, a Comissão Científica de Exploração conheceu a glória de ser a primeira expedição formada exclusivamente por brasileiros, destinada a encontrar no Ceará materiais e técnicas que acelerassem a marcha civilizatória do Império brasileiro — mas que logo se transformou em pecha de iniciativa malfadada, cara e inútil. O legado desta viagem exploratória passou décadas sem suscitar interesse entre os pesquisadores. Nos últimos anos, mesmo retomado por estudos acadêmicos, o tema ainda é lembrado mais pelo seu teor anedótico e por suas alcunhas pejorativas, chegando-se quase sempre à conclusão de que foi um empreendimento que não correspondeu às expectativas e investimentos. Além de proceder a uma revisão crítica das interpretações da expedição às províncias do Norte, gostaria de abordar aqui a experiência da Comissão Científica dentro das possibilidades e limites no uso da ciência como braço intelectual do desenvolvimento do Império, um país que buscava lidar com a herança colonial e, ao mesmo tempo, estabelecer-se comonação moderna e civilizada, capaz de empreender o conhecimento de seu próprio território.

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Publicado

2013-12-31

Como Citar

Teixeira, K. V. (2013). Comissão Científica de Exploração: uma experiência de transição no fazer científico brasileiro. Cadernos De História Da Ciência, 9(2), 42–65. https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2013.v9.34308