Evolução das lesões nasais em pacientes com hanseníase

Autores

  • Maria Virgínia Rodrigues Ferreira Julio Acadêmica de Enfermagem da FAMERP, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto FAMERP/S
  • Susilene Maria Tonelli Nardi Terapeuta Ocupacional, Mestre, Pesquisadora Científica do Instituto Adolfo Lutz Laboratório Regional de São José do Rio Preto, SP/ Instituto Lauro de Souza Lima, Bauru, S
  • Heloisa da Silveira Paro Pedro Bióloga, Mestre, Pesquisadora do Instituto Adolfo Lutz de São José do Rio Preto, SP
  • Vânia Del’ Arco Paschoal Enfermeira, Doutora, Profa. Adjunto de Ensino da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto/SP, Departamento de enfermagem em Saúde Coletiva.

DOI:

https://doi.org/10.47878/hi.2010.v35.35118

Palavras-chave:

hanseníase, mucosa nasal, obstrução nasal, incapacidades e saúde, morbidade

Resumo

Doença causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, a hanseníase ataca a pele e os nervos periféricos, em especial dos olhos, do nariz, das mãos e dos pés. Sua maior morbidade associa-se aos estados reacionais e ao acometimento neural que podem  causar deficiências físicas, comprometendo a qualidade de vida dos pacientes. Este estudo teve como finalidade descrever as alterações e avaliar a evolução das lesões nasais encontradas durante o tratamento de hanseníase com poliquimioterapia, mediante avaliações realizadas pelo profissional no serviço de prevenção e de reabilitação das incapacidades físicas. Os resultados demonstraram que a lesão nasal é freqüente (69,8%). A lesão mais encontrada foi o ressecamento (38,2%), seguido de crostas (23,6%) e de obstrução nasal (8%). Considerando reavaliações e orientações quanto aos cuidados com o nariz no sentido de prevenir lesões e de cuidar das já instaladas, o acompanhamento do paciente ao longo do tratamento resultou em melhora das lesões em 47,2% dos casos, em manutenção da lesão em 39,5% dos casos, em ausência de lesão em 6,3% e em piora das lesões em 7% dos casos. O nariz deve ser elencado como local de avaliação e de cuidados na rotina de atendimento em prevenção de incapacidades na hanseníase.

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Publicado

30-06-2010

Como Citar

1.
Julio MVRF, Nardi SMT, Pedro H da SP, Paschoal VDA. Evolução das lesões nasais em pacientes com hanseníase. Hansen. Int. [Internet]. 30º de junho de 2010 [citado 7º de dezembro de 2022];35(1):29-35. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/35118

Edição

Seção

Artigos originais