Prevalência de infecção por HTLV-1 e HTLV-2 em pacientes infectados pelo HIV em serviço especializado de São Paulo

Autores

  • Adele Caterino de Araujo Instituto Adolfo Lutz
  • Carlos Henrique Barreto-Damião Instituto Adolfo Lutz
  • Alexandre Almeida Instituto Adolfo Lutz
  • Cláudio Tavares Sacchi Instituto Adolfo Lutz
  • Maria Gisele Gonçalves Instituto Adolfo Lutz
  • Lucila Okuyama Fukasawa Instituto Adolfo Lutz
  • Maristela Marques Salgado Instituto Adolfo Lutz
  • Luis Fernando de Macedo Brígido Instituto Adolfo Lutz
  • Fábio Takenori Higa Instituto Adolfo Lutz
  • Karoline Rodrigues Campos Instituto Adolfo Lutz
  • Luana Portes Ozório Coelho Instituto Adolfo Lutz
  • Marcela Brito de Santana Instituto Adolfo Lutz
  • Mariana Cavalheiro Magri Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
  • Telma Miyuki Oshiro Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
  • Leda Fátima Jamal Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo
  • Maria de Fátima Jorge Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo
  • Maria Lúcia Rocha Mello Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo
  • Risia Cristina Santos de Oliveira Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo
  • Wong Kuen Alencar Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo

Palavras-chave:

HTLV-1, HTLV-2, HIV, Coinfecção, Prevalência, Categorias de risco

Resumo

 Os HTLV-1, HTLV-2 e HIV compartilham as mesmas vias de transmissão e as prevalências  de coinfecção HIV/HTLV-1 e HIV-HTLV-2 variam de acordo com a região geográfica, a  população de estudo e a época em que foi realizada a pesquisa. Altas taxas de coinfecção foram  detectadas em pacientes com Aids em São Paulo na década de 1990 e foram associadas ao uso  de drogas injetáveis (UDI). Neste estudo foi determinada a prevalência e os fatores de risco para  a coinfecção HIV/HTLV em pacientes do CRT-DST/Aids de São Paulo. Amostras de sangue  de 1.608 pacientes que aceitaram participar do estudo foram encaminhadas ao Instituto Adolfo  Lutz para pesquisa de anticorpos anti-HTLV-1/2 por ensaio imunoenzimático e Western Blot  (WB) e para pesquisa de DNA proviral pela PCR em tempo real pol. Na triagem sorológica,  51 soros resultaram reagentes para HTLV. Destes, pelo WB, 23 (1,43%) confirmaram infecção  HTLV-1, 12 (0,75%) HTLV-2 e 6 (0,37%) HTLV não tipado. Pela PCR houve detecção de mais  um caso de HTLV-1 (total 1,49%) e cinco casos de HTLV-2 (total 1,06%). Houve associação  entre infecção HTLV-1/2 e gênero feminino (p=0.0027), cor negro/pardo (p=0.0332), infecção  pelo HBV (p=0.0019), HCV e UDI (p<0.0000). A PCR em tempo real foi útil para confirmar  casos com resultado HTLV não tipado e Indeterminado pelo WB e pode ser usada como primeiro  teste confirmatório seguido do WB. A baixa prevalência de coinfecção HIV/HTLV no presente  estudo parece estar relacionada a mudanças na população exposta ao HIV e na troca de cocaína  injetável por crack no momento atual.     

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Publicado

2014-10-31

Como Citar

1.
Caterino de Araujo A, Barreto-Damião CH, Almeida A, Tavares Sacchi C, Gonçalves MG, Okuyama Fukasawa L, Marques Salgado M, de Macedo Brígido LF, Takenori Higa F, Rodrigues Campos K, Portes Ozório Coelho L, Brito de Santana M, Cavalheiro Magri M, Miyuki Oshiro T, Jamal LF, Jorge M de F, Rocha Mello ML, Santos de Oliveira RC, Kuen Alencar W. Prevalência de infecção por HTLV-1 e HTLV-2 em pacientes infectados pelo HIV em serviço especializado de São Paulo. Bepa [Internet]. 31º de outubro de 2014 [citado 27º de fevereiro de 2024];11(130):1-10. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/BEPA182/article/view/38196

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