Resumo
Avaliar as condições pré-analíticas das amostras não ginecológicas provenientes da Unidades Básicas de Saúde recebidas no Setor de Citologia Oncótica no período entre 1999 a 2009. Foram registradas 2.953 citologias não ginecológicos de 2.272 pacientes, sendo 33 tipos de espécimes biológicos como escarro, urina, raspados (lábio, gengiva, língua, uretra, pele, pênis, anus, ferida de pele), escovado brônquico, lavados (brônquico, bexiga), secreções (mama, nariz, tórax, etc), punções (LCR, ossos, mama, tireóide, próstata, cisto ovariano, cisto de Bartolin, fígado, nódulos ganglionares), líquidos (parótida, pleura, ascite, peritonio, articulação, escroto, coleção de coxa), lesão de antebraço, escovado de esôfago, suco gástrico, etc. Foram confeccionados esfregaços citológicos de acordo com o tipo de espécime por citocentrifugação, esfregaço simples de (uma fixada e outra secasda ao ar), filtro de membrana, e de base líquida semi-automática, em algumas amostras os esfregaços já vieram confeccionados das unidades de saúde. Foram corados pelo método de Papanicolaou modificado e, nos casos de esfregaço à seco foram corados pelo método de Panótico semelhante ao do hematológico. Diagnóstico citomorfológico foi classificado em: insatisfatório, negativo para células neoplásicas, suspeito para malignidade quando faltam critérios citomorfológicos conclusivos de malignidade, positivos para células malignas. Das 2.953 citologias não ginecológicas, resultaram 59(1,99%) insatisfatórias por vários critérios de rejeição como fixação, tempo hábil de chegada do material desde a colheita até a entrada no laboratório e dados clínicos incompletos; Entre os casos que foram realizados diagnósticos, 1.831(62,0%) foram negativos para células neoplásicas; 331 (11,2%) suspeitos de malignidade; 547 (18,52%) positivos para células malignas. O elevado número de amostras não ginecológicas insatisfatórias, nos faz refletir sobre a importância que se deve dar à fase pré-analítica, principalmente em relação a coleta do material, pois para obtenção destes materiais biológicos, diferente do programa de prevenção do cancer do colo uterino, não existe ainda um programa de treinamento adequado para melhoria da qualidade.

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