Avaliação dos níveis de cromo total em águas para consumo humano

Autores

  • Lidiane Raquel Verola Mataveli Núcleo de Contaminantes Inorgânicos, Centro de Contaminantes, Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, SP, Brasil
  • Márcia Liane Buzzo Núcleo de Contaminantes Inorgânicos, Centro de Contaminantes, Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, SP, Brasil
  • Maria de Fátima Henriques Carvalho Núcleo de Contaminantes Inorgânicos, Centro de Contaminantes, Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, SP, Brasil
  • Luciana Juncioni de Arauz Núcleo de Contaminantes Inorgânicos, Centro de Contaminantes, Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, SP, Brasil
  • Guilherme Augusto Verola Mataveli Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, São Paulo, SP, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.53393/rial.2018.v77.34184

Palavras-chave:

cromo total, água, espectrometria de massas

Resumo

Níveis elevados de cromo associados às águas naturais não são comuns, mas concentrações elevadas desse elemento, de ocorrência natural, têm sido relatadas nas águas subterrâneas de vários sistemas aquíferos, incluindo o Aquífero Bauru, SP, Brasil. Este fato está associado à ocorrência de rochas máficas/ultramáficas e às condições alcalinas e oxidantes. Neste estudo foi desenvolvido e aplicado um método para monitorar a concentração de cromo total em amostras de água da cidade de São José do Rio Preto. Esta cidade está localizada no estado de São Paulo, na região onde concentrações superiores ao limite estabelecido pela legislação brasileira (0,05 mg/L) foram detectadas em águas subterrâneas de poços de abastecimento. O cromo total foi determinado usando-se Espectrometria de Massas com Plasma Indutivamente Acoplado (ICPMS) em 104 amostras de água coletadas, entre 2013 e 2017, em diferentes pontos de distribuição (zona rural, residencial, distrito industrial, comercial, reservatório de distribuição e estação de tratamento de água), considerando-se 52 locais. Em 99 % das amostras as concentrações de Cr estavam acima do limite de quantificação calculado para o método (0,001 mg/L). E 15% apresentaram concentrações acima do limite de regulação na água potável (Portaria 2914/2011), sendo, portanto, consideradas impróprias para o consumo humano.

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Publicado

2018-03-29

Como Citar

1.
Mataveli LRV, Buzzo ML, Carvalho M de FH, Arauz LJ de, Mataveli GAV. Avaliação dos níveis de cromo total em águas para consumo humano. Rev Inst Adolfo Lutz [Internet]. 29º de março de 2018 [citado 21º de fevereiro de 2024];77:1-11. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/RIAL/article/view/34184

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