Aspectos epidemiológicos da febre maculosa no Rio de Janeiro: abordagem Uma Só Saúde
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Palavras-chave

Febre Maculosa
Uma Só Saúde
Amblyomma
Rickettsia
Zoonoses

Como Citar

1.
Ferrão LC da S, Souza GF de, Rodrigues CM. Aspectos epidemiológicos da febre maculosa no Rio de Janeiro: abordagem Uma Só Saúde. Rev Inst Adolfo Lutz [Internet]. 28º de janeiro de 2026 [citado 1º de fevereiro de 2026];85:1-13,e41705. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/RIAL/article/view/41705

Resumo

A febre maculosa no Brasil representa um modelo paradigmático de doença emergente associada às transformações ambientais e à interface entre sistemas humanos e naturais. O artigo tem por objetivo analisar os aspectos epidemiológicos da febre maculosa no estado do Rio de Janeiro entre 2007 e 2019, avaliando a relação entre presença de vetores, hospedeiros animais ou amplificadores e características ambientais sob a perspectiva Uma Só Saúde. Estudo epidemiológico descritivo de 1.403 notificações de febre maculosa, obtidas por meio de acesso aberto à plataforma DATASUS, com análise da distribuição espacial, temporal e das características epidemiológicas. Foram avaliadas as associações entre presença de vetores, evolução clínica e características ambientais das áreas de ocorrência. Entre os 176 casos confirmados, 75,0% apresentaram exposição a carrapatos. A letalidade foi significativamente maior entre casos com presença de vetor (31,1%). Observou-se concentração de casos em áreas de interface urbano silvestre, com predomínio no sexo masculino (65,3%) e faixa etária de 20-59 anos (58,5%). A sazonalidade mostrou picos entre maio e outubro, corroborando com a literatura. A febre maculosa no Rio de Janeiro apresenta padrão epidemiológico complexo, influenciado pela fragmentação da Mata Atlântica, urbanização e mudanças climáticas. A abordagem Uma Só Saúde é fundamental para compreender e controlar.

https://doi.org/10.53393/rial.2026.v.85.41705
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