Diagnóstico sorológico da infecção por HIV/aids no Brasil

Autores

  • Márcia Jorge Castejon Instituto Adolfo Lutz, - Centro de Imunologia
  • Celso Francisco Hernandes Granato Grupo Fleury – Diretoria Clínica
  • Carmem Aparecida de Freitas Oliveira Instituto Adolfo Lutz - Centro de Imunologia

DOI:

https://doi.org/10.53393/bepa.2022.v.19.37710

Palavras-chave:

infecções por HIV, sorodiagnóstico da Aids, anticorpos anti-HIV, imunoensaio, soroconversão

Resumo

O teste imunoenzimático do tipo ELISA foi comercializado no Brasil logo após ser anunciado nos EUA e Europa e imediatamente utilizado em vários laboratórios públicos e privados. Tecnologias mais recentes para a testagem de HIV, como a de quarta geração, que detecta anticorpos anti-HIV e o antígeno p24, e os testes baseados em ácido nucleico, reduziram o intervalo entre a infecção e a detecção da doença. Esta breve revisão propõe-se a apresentar os diferentes fluxogramas de testes para diagnóstico do HIV utilizados no Brasil, desde os ensaios baseados somente em anticorpos anti-HIV até os novos fluxogramas em que foram incluídos os testes moleculares. No Brasil, até 1998, as autoridades nacionais ainda não haviam recomendado um algoritmo para a realização do diagnóstico da infecção pelo HIV. Desde então, diferentes algoritmos de testagem foram preconizados pelo Ministério da Saúde do Brasil para o diagnóstico da infecção pelo HIV e seguidos pelos laboratórios. Considerando os diferentes cenários em que o diagnóstico do HIV tem sido realizado, há necessidade de avaliações frequentes dos ensaios, visto que a qualidade dos resultados pode ser influenciada por diferentes fatores biológicos do hospedeiro e do agente.

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Publicado

2022-10-18

Como Citar

1.
Jorge Castejon M, Hernandes Granato CF, de Freitas Oliveira CA. Diagnóstico sorológico da infecção por HIV/aids no Brasil. Bepa [Internet]. 18º de outubro de 2022 [citado 1º de dezembro de 2022];19:1-39. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/BEPA182/article/view/37710

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