Diagnóstico laboratorial da infecção pelo HIV em travestis e mulheres transexuais no Brasil, 2019-2021

Autores

  • Márcia Jorge Castejon Instituto Adolfo Lutz - Centro de Imunologia – São Paulo – SP - Brasil
  • Carmem Aparecida de Freitas Oliveira Instituto Adolfo Lutz - Centro de Imunologia – São Paulo – SP - Brasil https://orcid.org/0000-0002-3392-7617
  • Luís Fernando de Macedo Brígido Instituto Adolfo Lutz - Centro de Virologia – São Paulo – SP - Brasil
  • Rosemeire Yamashiro Instituto Adolfo Lutz - Centro de Imunologia – São Paulo – SP - Brasil https://orcid.org/0000-0002-6932-8915
  • Katia Cristina Bassichetto Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – São Paulo – SP – Brasil https://orcid.org/0000-0003-3645-025X
  • Norberto Camilo Campos Instituto Adolfo Lutz - Centro de Virologia – São Paulo – SP - Brasil https://orcid.org/0000-0003-1425-9825
  • Elaine Lopes de Oliveira Instituto Adolfo Lutz - Centro de Imunologia – São Paulo – SP - Brasil
  • Ana Rita Coimbra Motta Castro Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campo Grande – MS – Brasil
  • Inês Dourado Instituto de Saúde Coletiva – Salvador – BA – Brasil https://orcid.org/0000-0003-1675-2146
  • Laio Magno Instituto de Saúde Coletiva – Salvador – BA – Brasil https://orcid.org/0000-0003-3752-0782
  • Roberto José de Carvalho da Silva Centro de Referência e Treinamento DST/Aids, São Paulo, SP, Brasil https://orcid.org/0000-0001-9186-0206
  • Maria Amélia de Sousa Mascena Veras Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – São Paulo – SP – Brasil https://orcid.org/0000-0002-1159-5762

DOI:

https://doi.org/10.57148/bepa.2023.v.20.38087

Palavras-chave:

testes rápidos, carga viral, anticorpos anti-HIV, imunoensaio, indivíduos transgênero, terapia antirretroviral de alta atividade

Resumo

A prevalência de HIV em travestis e mulheres transexuais (TrMT) é desproporcionalmente maior quando comparada com a população geral do Brasil. O objetivo deste estudo foi analisar – por meio de ensaios molecular e sorológicos convencionais para o diagnóstico da infecção pelo HIV – amostras de sangue de uma população TrMT de cinco capitais brasileiras que haviam apresentado resultado reagente em testes rápidos (TR). Um total de 435 amostras com resultado reagente em pelo menos um TR foi encaminhado ao laboratório de referência do estado de São Paulo – o Instituto Adolfo Lutz (IAL) –, para que elas fossem analisadas por meio de testes laboratoriais convencionais. Das amostras avaliadas, 99,3% (432/435) foram reagentes para HIV nos testes laboratoriais convencionais, sendo que, destas, 22,7% (98/432) apresentaram carga viral HIV-1 acima de 5.000 cópias/ml e 77,3% (334/432) mostraram-se reagentes em testes sorológicos (imunoensaio de quimioluminescência, ou ELISA, e imunoblot rápido). As três amostras restantes (0,7%) foram classificadas como “indeterminada para HIV”, com base em ensaios molecular e sorológicos convencionais. A sensibilidade analítica dos diferentes ensaios – molecular e sorológicos – utilizados neste estudo pode ter variado pela influência da imunossupressão viral do HIV-1 resultante da terapia antirretroviral (TARV). Estudos complementares são necessários para melhor entender o impacto da terapia no diagnóstico do HIV.

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Publicado

2023-05-30

Como Citar

1.
Castejon MJ, Oliveira CA de F, Brígido LF de M, Yamashiro R, Bassichetto KC, Campos NC, Oliveira EL de, Castro ARCM, Dourado I, Magno L, Silva RJ de C da, Veras MA de SM. Diagnóstico laboratorial da infecção pelo HIV em travestis e mulheres transexuais no Brasil, 2019-2021. Bepa [Internet]. 30º de maio de 2023 [citado 13º de julho de 2024];20:e38087. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/BEPA182/article/view/38087

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