Estudo comparativo da expressão de carboidratos no sistema ovogranuloma hepático na esquistossomose humana e experimental

Autores

  • Mariana Tavares Guimarães Universidade Federal de Pernambuco, Laboratório de imunopatologia Keizo Asam, Recife, PE
  • Mario Ribeiro de Melo-Junior Universidade Federal de Pernambuco, Laboratório de imunopatologia Keizo Asam, Recife, PE
  • Rodrigo Bacelar da Costa Silva Universidade Federal de Pernambuco, Laboratório de imunopatologia Keizo Asam, Recife, PE
  • Carmelita Bezerra de Lima Cavalcante Universidade Federal de Pernambuco, Laboratório de imunopatologia Keizo Asam, Recife, PE
  • Eduardo Isidoro Carneiro Beltrão Universidade Federal de Pernambuco, Departamento de Bioquímica, Recife, PE;

DOI:

https://doi.org/10.53393/rial.2008.67.32791

Palavras-chave:

lectinas, histoquímica, granuloma, esquistossomose

Resumo

Em virtude das lesões granulomatosas em animais e humanos aparentemente demonstrarem as mesmas alterações histológicas, poucas dados existem sobre as alterações patobioquímicas relacionadas aos carboidratos expressos pelos tecidos parasitados pelo S. mansoni. Neste trabalho, os resultados indicam que todas as lectinas testadas evidenciaram padrões de marcação diferenciados no tegumento do ovo do parasita e no granuloma periovular. A lectina WGA (Wheat germ agglutinin) apresentou uma intensa marcação do sistema ovo-granuloma (SOG) na esquistossomose experimental, enquanto que nas amostras teciduais humanas a WGA, LTA (Lotus tetragonolobus agglutinin) e PNA (Peanut agglutinin) marcaram apenas o ovo de S. mansoni. A lectina UEA-I (Ulex europaeus agglutinin) marcou de forma incipiente e inespecífica o SOG; por outro lado, a LTA marcou preferencialmente os anéis de fibrose do granuloma hepático em humanos. Houve intensa marcação da WGA no SOG e no ovo de S. mansoni, enquanto que a PNA marcou apenas o ovo do parasita, o qual indica a presença de resíduos de n-acetil-glucosamina e galactose, respectivamente. As lectinas WGA, PNA e Con A (Concanavalin agglutinin) falharam na distinção de tipos celulares encontrados no granuloma tanto experimental como humano. Conclui-se que a análise histoquímica com o uso de lectinas é uma ferramenta útil na investigação de alterações bioquímicas específicas que caracterizam a esquistossomose humana e experimental.

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Referências

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Publicado

2008-01-01

Como Citar

1.
Guimarães MT, Melo-Junior MR de, Silva RB da C, Cavalcante CB de L, Beltrão EIC. Estudo comparativo da expressão de carboidratos no sistema ovogranuloma hepático na esquistossomose humana e experimental. Rev Inst Adolfo Lutz [Internet]. 1º de janeiro de 2008 [citado 1º de março de 2024];67(1):59-63. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/RIAL/article/view/32791

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ARTIGO ORIGINAL