Resumen
A amoxicilina é penicilina sintética de uso em ambiente hospitalar, residencial e veterinário. O uso indiscriminado deste medicamento pode acarretar prejuízos sociais e ambientais. O presente trabalho determinou os níveis de amoxicilina em dois rios localizados no sudoeste do estado da Bahia, rios Água Fria e Verruga. Uma metodologia analítica foi desenvolvida, otimizada e validada para efetuar a determinação de resíduos de amoxicilina, empregando-se a cromatografia líquida de alta eficiência acoplada ao detector UV-visível (CLAE-UV). A avaliação do mérito do método foi baseada nos parâmetros cromatográficos de validação: linearidade, limites de detecção e quantificação, precisão, exatidão e seletividade. Devido à inexistência de valores máximos de amoxicilina aceitáveis para a água de consumo, os resultados obtidos podem constituir um indicativo dos níveis de contaminação dos recursos hídricos por este medicamento. As maiores concentrações, superiores a 11 mg.L-1 deste antibiótico, foram detectadas nas zonas onde recebem aportes dos deflúvios urbanos. Os parâmetros de validação demonstraram que o método apresentou capacidade de detecção de baixos valores dos limites de quantificação (2,7 mg.L-1) e de detecção (0,7 mg.L-1), boa precisão (DPR 7 %) e exatidão (96,75 %), constituindo-se em uma importante ferramenta na avaliação de teores de amoxicilina.
Citas
1. Brasil. Decreto-lei nº 5991, de 17 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 17 dez. 1973. [acesso 2013 Jun 22]. Disponível em: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5991.htm].
2. Harvey RA, Champe PC. Farmacologia ilustrada. 2ª ed. Porto Alegre (RS): Artmed; 1988.
3. Crestana GB, Silva JH. Fármacos residuais: panorama de um cenário negligenciado. Rev Int Direito Cidadania. 2011;9(2):55-65.
4. Bila DM, Dezotti M. Fármacos no meio ambiente. Quim Nova. 2003;26(4):523-30. [DOI: 10.1590/S0100-40422003000400015].
5. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais – RENAME. Elenco de medicamentos e insumos da RENAME 2014. [acesso 2013 Agosto 12]. Disponível em: [http://www.saude.sp.gov.br/resources/ses/perfil/gestor/assistencia-farmaceutica/rename_2014.pdf ].
6. Skoog DA, West DM, Holler FJ, Crouch SR. Fundamentos de química analítica. 8ªed. São Paulo (SP): Cengage Learning; 2011.
7. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB. Guia nacional de coleta e preservação de amostras: água, sedimento, comunidades aquáticas e efluentes líquidos. [acesso 2013 Mar 17]. Disponível em: [http://www.clean.com.br/downloads/Guia_Nacional_de_Coleta_e_Preservacao_de_Amostras_.pdf ].
8. Alexandrino DM. Avaliação sazonal de metais (Ca, Mg, Na e K) e metais traços (Cu, Zn, Cd e Pb) sob influência de atividades agrícolas na bacia de drenagem do reservatório Água Fria, Barra do Choça – BA [dissertação de mestrado]. Vitória da Conquista (BA): Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia; 2008.
9. Santos JS, Oliveira E, Massaro S. Avaliação da salinização de açudes no semiárido brasileiro por ICP-AES. Quim. Nova. 2000;23(4):453-6. [DOI: 10.1590/S0100-4042200000400004].
10. Santos MLP, Santos JS, Santos JR, Oliveira LB. Efeitos dos escoamentos urbanos e rurais na qualidade das águas do córrego verruga em Vitória da Conquista - Bahia, Brasil. Quim Nova. 2008;31(8):1997-2003. [DOI: 10.1590/S0100-40422008000800016].
11. Brasil. Ministério da Saúde. Resolução RE nº 899, de 29 de maio de 2003. Guia para validação de métodos analíticos e bioanalíticos. Diário oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 02 de julho de 2003. [acesso 2013 Mar 28]. Disponível em: [http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/4983b0004745975da005f43fbc4c6735/RE_899_2003_Determina+a+publica%C3%A7%C3%A3o+do+Guia+para+valida%C3%A7%C3%A3o+de+m%C3%A9todos+anal%C3%ADticos+e+bioanal%C3%ADticos.pdf?MOD=AJPERES].
12. Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO. Orientações sobre Validação de Métodos de Ensaios Químicos - DOQ-CGCRE-008. [acesso 2013 Mar 28]. Disponível em: [http://www.inmetro.gov.br/Sidoq/Arquivos/CGCRE/DOQ/DOQ-CGCRE-8_02.pdf ].
13. Ribani M, Bottoli CBG, Collins CH, Jardim ICSF, Melo LFC. Validação em métodos cromatográficos e eletroforéticos. Quim Nova. 2004;27(5):771-80. [DOI: 10.1590/S0100-40422004000500017].
14. Ribeiro FAL, Ferreira MMC, Morano SC, Silva LR, Schneider RP. Planilha de validação: uma nova ferramenta para estimar figuras de mérito na validação de métodos analíticos univariados. Quim Nova. 2008;31(1):164-71. [DOI: 10.1590/S0100-40422008000100029].
15. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA. Manual de garantia da qualidade analítica. Secretaria de Defesa Agropecuária. [acesso 2013 Out 15]. Disponível em: [http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Manual_Garantia_Analitica.pdf ]
16. International Conference on Harmonisation – ICH. Validation of Analytical Procedures: Text and Methodology Q2 (R1). [acesso 2013 Jun 13]. Disponível em: [http://www.ich.org/fileadmin/Public_Web_Site/ICH_Products/Guidelines/Quality/Q2_R1/Step4/Q2_R1__Guideline.pdf ]
17. Swartz ME, Krull IS. Validação de métodos cromatográficos. Pharm Technol. 1998;2(3):12-20.
18. Green JM. A practical guide to analytical method validation. Anal Chem News Features. 1996;68(9):305A–9A.
19. Shabir GA. Validation of high-performance liquid chromatography methods for pharmaceutical analysis: understanding the differences and similarities between validation. J Chromatogr A. 2003;987(1-2):57-66. [DOI: 10.1016/S0021-9673(02)01536-4].
20. Salmon JE. Ion-Exchange in analytical chemistry: problems and prospects. Pure Appl Chem. 1971; 25(4):797-809.
21. Associação Grupo de Analistas de Resíduos de Pesticidas – GARP. Manual de Resíduos de Pesticidas em Alimentos (apostila). São Paulo: GARP, 1999.
22. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Farmacopéia Brasileira, 5ª edição. [acesso 2013 jun 13]. Disponível em: [http://www.anvisa.gov.br/hotsite/cd_farmacopeia/pdf/volume1%2020110216.pdf]
23. Cardoso MHWM, Gouvêa AV, Nóbrega AW, Abrantes SMP. Validação de método para determinação de resíduos de agrotóxicos em tomate: uma experiência laboratorial. Ciênc Tecnol Aliment. 2010;30(Supl.1):63-72.
24. Pimentel MF, Neto BB. Calibração: uma revisão para químicos analíticos. Quim Nova. 1996;19(3):268-77.
25. Berg RG, Murta ALM, Kugler W. O método das adições padrão aplicado à análise cromatográfica quantitativa de fenóis em águas residuais. Quim Nova. 1988;11(2):288-91.
26. Pinto GMF, Silva KR, Pereira RFAB, Sampaio SI. Estudo do descarte residencial de medicamentos vencidos na região de Paulínia (SP), Brasil. Eng Sanit Ambient. 2014;19(3): 219-24. [DOI: 10.1590/S1413-41522014019000000472].
27. Andreozzi R, Caprio V, Ciniglia C, de Champdoré M, Lo Giudice R, Marotta R, et al. Antibiotics in the Environment: Occurrence in Italian STPs, Fate, and Preliminary Assessment on Algal Toxicity of Amoxicillin. Environ Sci Technol. 2004;38(24):6832-38. [DOI: 10.1021/es049509a].
28. Cha JM, Yang S, Carlson KH. Trace determination of beta-lactam antibiotics in surface water and urban wastewater using liquid chromatography combined with electrospray tandem mass spectrometry. J Chromatogr A. 2006;1115(1-2):46–57. [DOI: 10.1016/j.chroma.2006.02.086].
29. Christian T, Schneider RJ, Färber HA, Skutlarek D, Meyer MT, Goldbach HE. Determination of antibiotic residues in manure, soil, and surface waters. Acta Hydrochim Hydrobiol.2003;31(1):36-44. [DOI: 10.1002/aheh.200390014].

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Derechos de autor 2016 Revista del Instituto Adolfo Lutz