Declínio cognitivo, independência funcional e sintomas depressivos em idosos com hanseníase

Autores

  • Juliana Graciela Trevisan Pelarigo Terapeuta Ocupacional - Responsável Técnica Setor de Reabilitação Profissional - INSS- GEX/Marília-SP .
  • Renata Bilion Ruiz Prado Mestre em Psicologia, Pesquisador Científico - Divisão de Pesquisa e Ensino - Instituto Lauro de Souza Lima/Bauru.
  • Susilene Maria Tonelli Nardi Doutora em Ciências da Saúde - Epidemiologia, Pesquisador Científico - Centro de Laboratório Regional - Instituto Adolfo Lutz- São José do Rio Preto-SP.
  • Cristina Maria da Paz Quaggio Mestre em Terapia Ocupacional, Terapeuta Ocupacional - Divisão de Reabilitação - Instituto Lauro de Souza Lima/Bauru.
  • Luciano Humberto Soares Camargo Médico Geriatra - Inova Centro Médico/Bauru .
  • Lucia Helena Soares Camargo Marciano Doutora em Saúde Coletiva, Divisão de Pesquisa e Ensino - Instituto Lauro de Souza Lima/Bauru - (Pesquisador Científico).

DOI:

https://doi.org/10.47878/hi.2014.v39.35026

Palavras-chave:

Idoso, Hanseníase, Depressão, Cognição

Resumo

Os problemas decorrentes da hanseníase podem causar transtornos psiquiátricos e comprometer o desempenho do indivíduo na execução das atividades cotidianas, especialmente no idoso. O objetivo deste estudo foi verificar as associações entre funcionabilidade, sintomas depressivos e aspectos cognitivos em idosos com história pregressa de hanseníase. Trata-se de estudo descritivo transversal. Foram aplicados os seguintes instrumentos de avaliação: Anamnese, Grau de Incapacidades da Organização Mundial da Saúde (GI-OMS), Questionário de Atividades Funcionais de Pfeffer, Escala de Depressão Geriátrica-15, Mini-Exame do Estado Mental e o Índice de Barthel. Quanto aos resultados, foram avaliados 90 idosos que tiveram a doença e a maioria pertencia ao gênero masculino (75,6%) e com baixa escolaridade (42,2%); eram casados/união consensual (58,9%) e apresentaram GI-OMS 1 ou 2 (83,3%). A idade variou entre 60 e 92 anos e a média foi 68,9 (DP7,3). Quanto aos problemas de saúde, houve um predomínio das doenças cardíacas (42,2%). A maioria deles apresentou independência funcional na execução das atividades de vida diária-AVDs (80%) e nas atividades instrumentais de vida diárias-AIVDs (83,3%); 30% apresentou sintomas depressivos e 52,2%, declínio cognitivo. Houve associação significativa entre sintomas depressivos e AVDs (p=0,048), sintomas depressivos e AIVDs (p=0,0111). Conclui-se que a maior parte dos idosos apresentou deficiências físicas, declínio cognitivo, e essas condições não interferiram significativamente na manifestação de sintomas depressivos e na independência funcional. A maioria dos idosos que apresentou independência funcional tinha menor chance de desenvolver sintomas depressivos, embora uma parcela significativa desta casuística demonstrou sintomas depressivos.

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Publicado

30-06-2014

Como Citar

1.
Pelarigo JGT, Prado RBR, Nardi SMT, Quaggio CM da P, Camargo LHS, Marciano LHSC. Declínio cognitivo, independência funcional e sintomas depressivos em idosos com hanseníase. Hansen. Int. [Internet]. 30º de junho de 2014 [citado 26º de setembro de 2022];39(1):30-9. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/35026

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