Eritema polimorfo hansênico ulcerado “ab initio”: uma apresentação atípica de hanseníase na faixa virchowiana

Autores

  • Letícia Arsie Contin Médica residente “Instituto Lauro de Souza Lima”, Bauru, SP.
  • Wladimir F. B. Delanina Dermatologista e hansenologista “Instituto Lauro de Souza Lima”, Bauru, SP.
  • Jaison Antônio Barreto Dermatologista e hansenologista “Instituto Lauro de Souza Lima”, Bauru, SP.
  • Maria Esther S. Nogueira Nogueira Pesquisadora Científica “Instituto Lauro de Souza Lima”, Bauru, SP.
  • Suzi O. T. Berbert de Souza Infectologista, Secretaria Municipal de Saúde, Rio Claro, SP.

DOI:

https://doi.org/10.47878/hi.2008.v33.35177

Palavras-chave:

Hanseníase virchowiana, Eritema nodoso hansênico, Poliquimioterapia

Resumo

Paciente masculino, caucasiano, 49 anos, procedente do interior do estado de São Paulo, referiu estar em tratamento de hanseníase multibacilar há 2 meses, e que sua doença foi descoberta por meio de baciloscopia e biópsia de pele. Relatou que há 2 anos notou alteração de sensibilidade na parte distal lateral do pé esquerdo, associada a máculas eritematosas e hipocrômicas hipoestésicas no mesmo membro. Evoluiu com linfonodomegalia axilar e inguinal, placas eritematosas anulares bem delimitadas, disseminadas e dolorosas, algumas com ulceração central, além de nódulos dolorosos em membros, febre alta e mal estar geral. Internado em hospital geral, recebeu antibioticoterapia empírica, sem melhora do quadro, sendo então encaminhado para um infectologista que fez o diagnóstico de hanseníase na faixa virchowiana em reação. Iniciou tratamento com PQT-MB e prednisona, com melhora parcial das lesões, porém com desencadeamento de diabetes mellitus pelo corticoesteróide, e foi encaminhado para o Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL). Na admissão, ao exame físico, além das placas, nódulos e discreta linfonodomegalia inguinal e axilar, o paciente não apresentava os sinais clássicos de hanseníase virchowiana, como infiltração difusa, madarose, desabamento nasal, perda de sensibilidade protetora em membros ou espessamento de
nervos consistentes. O exame histopatológico do bordo de uma placa mostrou quadro de hanseníase na faixa virchowiana e reação Tipo 2 no derma superficial (eritema polimorfo hansênico), baciloscopia de 5+ (bacilos granulosos). A baciloscopia de pontos índices foi positiva em 6 pontos, 3 a 4 +, bacilos granulosos. A dosagem de IgM anti-PGL-1 (glicolipídeo fenólico 1) por ELISA foi de 0,241 e o teste ML-Flow (teste de fluxo lateral para o M. leprae) foi de 4+. O hemograma mostrou anemia  importante (Ht=25%) e leucocitose com desvio a esquerda e granulações tóxicas, VHS 101mm. O exame bacteriológico colhido de uma lesão ulcerada revelou S. aureus coagulase negativo. Foi reduzida a prednisona e acrescentada talidomida 300mg/dia com rápida involução das lesões. Discute-se a demora no diagnóstico, tanto diante das manifestações iniciais como diante do quadro reacional, a conduta terapêutica após o diagnóstico, e a patogênese da reação tipo 2 enquanto manifestação inicial, ou seja, antes do tratamento específico.

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Publicado

30-06-2008

Como Citar

1.
Contin LA, Delanina WFB, Barreto JA, Nogueira MESN, Souza SOTB de. Eritema polimorfo hansênico ulcerado “ab initio”: uma apresentação atípica de hanseníase na faixa virchowiana. Hansen. Int. [Internet]. 30º de junho de 2008 [citado 7º de dezembro de 2022];33(1):35-40. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/35177

Edição

Seção

Seção anátomo-clínica

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