Aspectos da hanseníase na area urbana do município de São Paulo — hanseníase indiferenciada, 1963-1977

Autores

  • Walter BELDA Professor de Dermatologia Sanitária (Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Uni versidade de São Paulo).

DOI:

https://doi.org/10.47878/hi.1981.v6.35607

Palavras-chave:

Hanseníase indeterminada, Epidemiologia, Área metropolitana, São Paulo. SP. Brasil

Resumo

No relacionar das condições geográficas e históricas que tornaram a Capital do Estado de São Paulo um centro econômico, atrativo de correntes migratórias, o autor procura analisar as modificações epidemiológicas observadas na endemia de hanseníase nesse Estado. Em 1977 a Capital concentrava 37% da população do Estado, com 23,2% dos pacientes de hanseníase registrados. Em termos de concentração demográfica verificava-se para uma densidade de 5.179 habitantes por Km2, 5,3 doentes de hanseníase por Km2. Nos diferentes substritos da Capital a densidade de doentes variou de 2,72 a 58,9 pacientes/Km2. Orientando o estudo somente em relação aos casos indiferenciados, 6.664 registrados no período 1963 — 1977, foram analisados as variáveis: origem e grupo etário. Em 1963, 7,4% dos casos descobertos no ano foram na Capital, em 1977 este percentual subiu a 14,8%. Em termos de casos autóctones, para 3,2% observados em 1971, obteve-se 13,1% em 1977. A análise dos casos autóctones da Capital evidenciou que enquanto o grupo etário 3-9 anos contribuía com 3,2% dos casos, o grupo 60 e mais apresentava 4,5%. Esta diferença se torna significativa ao ter-se em conta a pirâmide populacional do Estado com 13,9% de 0 a 9 anos e apenas 5,8% para 60 e mais anos. 71,6% dos casos observados estavam situados entre 15 e 49 anos. Os dados levantados levam o autor a estabelecer a seguinte seqüência de eventos: 1 — importância progressivamente maior da Capital como centro econômico; 2 — atração conseqüente de intensa corrente migratória; 3 — concentração crítica de  populações e formação, não planejada, de conglomerados periféricos; 4 — dificuldade crescente de atenção médico-assistencial nas áreas centrais e periféricas; 5 — aumentos das dificuldades de diagnóstico e controle com conseqüente aumento dos focos ocultos; 6 — alterações dos padrões sócio-econômicos que levam a menor convivência familiar; 7 — aumento das possibilidades de transmissão de hanseníase por contatos não intimos, nem prolongados; 8 — diminuição de casos familiares; 9 —  caracterização de hanseníase como doença urbana e de população adulta.

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Publicado

30-06-1981

Como Citar

1.
BELDA W. Aspectos da hanseníase na area urbana do município de São Paulo — hanseníase indiferenciada, 1963-1977. Hansen. Int. [Internet]. 30º de junho de 1981 [citado 4º de março de 2024];6(1):23-50. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/35607

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