Genética e Hanseníase: uma percepção crítica de sua conceituação e evolução

Autores

  • AGUINALDO GONÇALVES Médico especialista em Saúde Pública (Dermatologia Sanitária da Faculdade de Saúde Pública da USP) e pós-graduado em Genética do Instituto de Biociências da USP.

DOI:

https://doi.org/10.47878/hi.1977.v2.36066

Palavras-chave:

Genética, Hanseníase, Grupos sangüíneos, Antígeno Austrália, Lisozima, dermatóglifos

Resumo

Inicialmente, são detalhadas as controvérsias a respeito da natureza infecciosa ou hereditária da doença, já polarizadas quando de sua própria conceituação no século XIX e acentuadas ainda mais durante este século. A seguir revê-se uma série de Unhas científicas consistentes que gradualmente vêm sendo definidas, notabilizando-se os estudos que focalizam a problemática do meio familiar, a hanseníase conjugal, á afecção em gêmeos, o papel da lisozima e os estudos da doença em relação a marcadores genéticos, v.g., grupos sangüíneos, dermatóglifos, polimorfismos enzimáticos série e antigeno Au. Tais Informações conduzem a uma percepção critica posterior que parece indicar que as duas posições básicas quanto à nosografia da doença precisam ser redimensionadas em termos factuais da multicausalidade na história natural do agravo mórbido, abandonando assim o simplismo da ótica positivista unicausalistica da determinação. Isto posto e tendo claro sobretudo as várias evidências mencionadas e discutidas de mecanismos genéticos na hanseníase e a maior freqüência da transmissão efetiva do bacilo que a freqüência de casos novos, revê-se a aplicação de um modelo mendeliano bastante usual em genética de populações como possível base teórica, da ação da hereditariedade da doença.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

1. ALI, P. M. Genetic predisposition to leprosy. In: I.C.M.R. SEMINAR ON IMMUNOLOGY OF LEPROSY, New Delhi, 1972 apud Leprosy India, 45:107-108, 1973.
2. ALI, P. M. Genetics influence in leprosy. Indian J. Public Health, 10:145-165, 1966.
3. BALIRA, L. M., GATTI, J. C.; LÓDOLO, J. C.; NOCHOLSON, R. Lepra y genetics. II. Estudio de Ias impressiones digitopalmares (dermatoglifias) en pacientes de la lepra y conviventes. Leprologia, 12(2) :6471, 1967.
4. BEIGUELMAN, B. Hereditariedade e lepra. Ribeirão Preto, 1969. 710 p. [Tese-Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP]
5. BEIGUELMAN, B. Um programa multinacional de investigação leprológica utilizando o estudo de gêmeos. Cien. Cult., 26(5) :469-468, 1974.
6. BEIGUELMAN, B.; EL GUINDY, M. M.; PINTO Jr., W. Sulfonemia: um polimorfismo genético? Ciên. Cult., 26(supl. 7) :249, 1974.
7. BLUMBERG, B. S. Leprosy research through genetics. Int. J. Lepr., 33(3):739-743, 1965.
8. CARRANZA AMAYA, A. Lepra en El Salvador: zonas endemicas y su problema medicosocial. El Salvador, 1947. 99 p. [Tesis-Universidad Autonoma de El Salvador]
9. DIABATE, I. Antigène Australia et lèpre (chez l'Africain du Mali et du Senégal). Dakar, 1973. [These-Faculté de Médecine] apud Bull. Mem. Fac. Med. Pharm. Dakar, 21:19, 1973.
10. FLOCH, H. Transmission congenitale de la lépre. In: - Sur la lépre em Guyane Française. Biol. Med., Paris, 43(6) :632-634, 1954.
11. GHEI, S. B. & VAIDYA, M. C. Role of genetics in leprosy. In: INTERNATIONAL LEPROSY CONGRESS, 10th, Bergen, 1973. Abstracts. p.
12. GONÇALVES, A. Genética em medicina: metodologia eficiente na arte-ciência. Rev. Hosp- Clin. Fac. Med. Sao Paulo, 80:463-465, 1975. (Editorial)
13. GONÇALVES, A. Genética e Saúde Pública. A Ponte, 1(2) :9, 1976.
14. HORTON, R. J. & POVEY, S. Family studies in leprosy. Int. J. Lepr., 34 (4) :408-410, 1966.
15. LUCCA, E. J. Cruzamento de braços e dedos em hansenianos. Rev. Paul. Med., 83(6):278-281, 1974.
16. LYSSENKO, T. D. A herança e sua variabilidade. Rio de Janeiro, Editorial Vitória, 1950. 182p.
17. MACMAHON, B. & PUGH, T. Genética y epidemiologia. In: - Princípios y metodos en epidemiologia. 2.a ed. Mexico, La Prensa Mexicana, 1975. p. 279-330.
18. OPROMOLLA, D. V. A. Comunicação pessoal, 1976.
19. RICOU, E. P. S. M. Do conceito de hereditariedade na lepra. J. Medico, 20(504) :475477, 1952.
20. ROTBERG, A. Some aspects of immunity in leprosy and their importance in epidemiology, pathogenesis and classification of forms of the disease. Rev. Bras. Leprol., 5 (n.° esp.) :45-97, 1937.
21. SAUL, A. & DIAZ, M. La lepra y herencia. Dermatologia, Mexico, 9(2) :157-169, 1965.
22. SILVA AROUCA, A. S. A historia natural das doenças. Saúde em Debate, 1(1) :15-19, 1976.
23. SOUZA CAMPOS, N. & SOUZA LIMA, L. Do conceito da hereditariedade na lepra. In: - Lepra na infância. Rio de Janeiro, Serviço Nacional da Lepra, 1950. p. 17-34.24. SPICKETT, S. C. Genetics and the epidemiology of leprosy. Lepr. Rev., 33 (2) :76-93, 1962.
25. SPICKETT, S. C. Proposals for future studies in genetics. Lepr. Rev., 38(2):109-112, 1967.
26. TERENCIO DE LAS AGUAS, J. Genética en lepra. In: CONGRESO IBERO LATINOAMERICANO `DE DERMATOLOGIA, 6.0, Barcelona, 1967. Actas. Barcelona, Editorial Cientifico Medico, 1970. p. 287-294.
27. VOGAL, F. Genetics studies in leprosy. In: I.C.M.R. SEMINAR ON IMMUNOLOGY OF LEPROSY. New Delhi, 1972 apud Leprosy India, 46(2) :107, 1973.

Downloads

Publicado

30-11-1977

Como Citar

1.
GONÇALVES A. Genética e Hanseníase: uma percepção crítica de sua conceituação e evolução. Hansen. Int. [Internet]. 30º de novembro de 1977 [citado 20º de julho de 2024];2(2):153-8. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/36066

Edição

Seção

Artigos de investigação científica

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 > >>