Paciente com reação tipo I e tipo II e dez anos de seguimento

Autores

  • Antonio Carlos Ceribelli Martelli Médico dermatologista - Instituto Lauro de Souza Lima - Secretaria de Estado da Saúde.
  • Raul Negrão Fleury Médico anátomo patologista e Diretor do Serviço de Epidemiologia do Instituto Lauro de Souza Lima - Secretaria de Estado da Saúde.
  • Diltor Vladimir Araújo Opromolla Médico dermatologista e Diretor da Divisão de Pesquisa e Ensino do Instituto Lauro de Souza Lima - Secretaria de Estado da Saúde.

DOI:

https://doi.org/10.47878/hi.2002.v27.36418

Palavras-chave:

Surto reacional dimorfo, Eritema nodoso hansênico, Tinea corporis

Resumo

Relata-se o caso de um indivíduo do sexo masculino, de 52 anos de idade, que desde 20 anos atrás vinha apresentando sinais e sintomas de hanseníase multibacilar, mas só procurou tratamento após 5 anos, quando apresentava manifestações de Eritema Nodoso Hansênico (ENH - Reação tipo 1) inclusive com comprometimento articular. Instalado o tratamento (PQT/MB) o paciente passou a apresentar episódios de ENH, que se continuaram após a alta medicamentosa alternando-se ou em concomitância com episódios de reação tipo 1 (reação reversa) o que o definiu como um dimorfo. Assim permaneceu quase 10 anos, tendo apresentado, por a l g um t emp o , e s p l en ome ga l i a e s i na i s d e  hiperesplenismo. Só melhorou, quando a detecção de bacilos viáveis levou à reinstalação da PQT. A discussão do caso ressalta alguns aspectos interessantes desta evolução: 1) a demora no diagnóstico leva pacientes dimorfos a adquirirem características virchovianas com rica baciloscopia (virchovianos sub-polares); 2) estes pacientes tem maior possibilidade de albergarem bacilos persistentes que eventualmente se multiplicam e estimulam reações tipo 1; 3) a alternância de reações tipo 1 e tipo 2 pode indicar a participação da imunidade celular no desencadeamento do ENH, onde a reação granulomatosa romperia os infiltrados específicos regressivos, expondo antígenos intracelulares. Frente ao estado de hipersensibilidade humoral, haveria deposição de complexos imunes e desencadeamento de reação inflamatória aguda; 4) a alta da PQT não
significa cura da hanseníase.

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Referências

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Publicado

30-11-2002

Como Citar

1.
Martelli ACC, Fleury RN, Opromolla DVA. Paciente com reação tipo I e tipo II e dez anos de seguimento. Hansen. Int. [Internet]. 30º de novembro de 2002 [citado 25º de julho de 2024];27(2):105-11. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/36418

Edição

Seção

Estudos clínicos

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