Situação epidemiológica da hanseníase no município de Belo Horizonte/MG - Período 92/97

Autores

  • Francisco Carlos Félix Lana Professor Adjunto do Dept° de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG
  • Rozilene Francisca de Lima Enfermeira da Santa Casa de Belo Horizonte, Bolsista de Iniciação Científica do CNPq
  • Marcelo Grossi Araújo Professor Assistente do Deptº de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG
  • Paulo de Tarso S Fonseca Médico da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte.

DOI:

https://doi.org/10.47878/hi.2000.v25.36434

Palavras-chave:

Epidemiologia da hanseníase, diagnóstico precoce em hanseníase, eliminação da hanseníase

Resumo

Este estudo teve como objetivo conhecer a situação epidemiológica da hanseníase no município de Belo Horizonte através da análise de indicadores epidemiológicos e operacionais, com ênfase no diagnóstico precoce da doença. Trata-se de um estudo de natureza descritiva, para o qual utilizamos como instrumento as Fichas Epidemiológicas e Clínicas dos casos notificados de residentes em Belo Horizonte no período de 1992 a 1997. Para a análise dos dados utilizamos o software EPIINFO. Neste período, foram notificados 1217 casos de hanseníase apresentando coeficientes de detecção considerados altos no período 92/94 e médios no período 95/97. Verificamos uma baixa detecção nas formas clínicas não contagiantes (15,6%), incluindo a forma indeterminada (3,9%) - fase inicial da doença - havendo um nítido predomínio das formas contagiantes (84,4%). Observamos que 5,6% dos casos incidiram em menores de 15 anos e que apenas 39,7% do total de casos foram diagnosticados com menos de 12 meses após o aparecimento dos primeiros sinais da doença; deste modo, explicando o alto percentual de doentes diagnosticados com presença de incapacidades 2 e 3 (10,6%). Concluímos que os serviços de saúde aindadiagnosticam a hanseníase tardiamente, o que favorece a sua expansão na sociedade e a instalação de incapacidades físicas nos portadores. Apesar de verificarmos uma tendência decrescente na taxa de detecção, os demais dados analisados sugerem a persistência da endemia. Por outro lado, não se pode deixar de mencionar a possibilidade de uma prevalência oculta, sugerida pelo diagnóstico tardio, que pode vir a comprometer as metas de eliminação da hanseníase.

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Publicado

30-11-2000

Como Citar

1.
Lana FCF, Lima RF de, Araújo MG, Fonseca P de TS. Situação epidemiológica da hanseníase no município de Belo Horizonte/MG - Período 92/97. Hansen. Int. [Internet]. 30º de novembro de 2000 [citado 27º de fevereiro de 2024];25(2):121-32. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/36434

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