Avaliação baciloscópica na hanseníase virchoviana (estudo de 60 necrópsias)

Autores

  • Marlene de Oliveira Trifilio Médica Anátomo - Patologista do Instituto Adolpho Lutz - São Paulo - SP
  • Andrea de Faria Fernandes Belone Pesquisadora Científica da Área de Anatomia Patológica do Instituto Lauro de Souza Lima - Bauru – SP
  • Raul Negrão Fleury Anátomo - Patologista. Diretor da Divisão de Epidemiologia, do Instituto Lauro de Souza Lima - Bauru - SP Institutos da Coordenadoria dos Institutos de Pesquisa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo

Palavras-chave:

Hanseníase virchoviana, baciloscopia, visceral

Resumo

Na literatura há referências de que a proliferação do M. leprae nas vísceras pode se manter mesmo na ausência de proliferação, em nível cutâneo-neural, e que isto poderia permitir reativações da hanseníase. Com o fito de avaliar-se a baciloscopia nas diversas localizações viscerais comprometidas na hanseníase virchoviana e, se possível, compará-las com a baciloscopia em material colhido em pele e nervos periféricos, analisamos 60 necrópsias de indivíduos virchovianos. Estas necrópsias foram divididas em grupos de acordo com os resultados da última baciloscopia que o paciente apresentou em vida, ou seja: Virchovianos ativos e em progressão — 15 necrópsias; Virchovianos ativos e em regressão — 17 necrópsias; Virchovianos inativos — 28 necrópsias. Em algumas necrópsias o índice da baciloscopia visceral ultrapassou o mesmo índice em nível cutâneo-neural, e em 3 necrópsias bacilos típicos foram encontrados somente em vísceras (laringe e testículos). Em termos comparativos com a baciloscopia cutâneo-neural estes resultados não puderam ser valorizados porque limitações de natureza técnica e legal nos impediram de colher fragmentos de pele e nervos periféricos em várias localizações. No entanto, há trabalhos sugerindo que a baciloscopia em linfonodos de drenagem da pele pode dar uma idéia bastante aproximada da baciloscopia cutânea. Em algumas das necrópsias examinadas, em localizações viscerais, o índice baciloscópico ultrapassou o mesmo índice no linfonodo axilar. Excluindo-se linfonodos axilares, os valores mais elevados do índice baciloscópico para as vísceras foram encontrados na laringe, testículos e faringe, com predomínio da primeira localização. Isto pode confirmar a relação entre temperatura tecidual e capacidade de proliferação bacilar, sugerindo que a laringe apresenta condições de adaptação e proliferação do M. leprae semelhantes à mucosa nasal, que é a via principal de eliminação bacilar.

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Publicado

30-11-1997

Como Citar

1.
Trifilio M de O, Belone A de FF, Fleury RN. Avaliação baciloscópica na hanseníase virchoviana (estudo de 60 necrópsias). Hansen. Int. [Internet]. 30º de novembro de 1997 [citado 8º de fevereiro de 2023];22(2):10-9. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/36451

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