Avaliação baciloscópica na hanseníase virchoviana (estudo de 60 necrópsias)

Autores

  • Marlene de Oliveira Trifilio Médica Anátomo - Patologista do Instituto Adolpho Lutz - São Paulo - SP
  • Andrea de Faria Fernandes Belone Pesquisadora Científica da Área de Anatomia Patológica do Instituto Lauro de Souza Lima - Bauru – SP
  • Raul Negrão Fleury Anátomo - Patologista. Diretor da Divisão de Epidemiologia, do Instituto Lauro de Souza Lima - Bauru - SP Institutos da Coordenadoria dos Institutos de Pesquisa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.47878/hi.1997.v22.36451

Palavras-chave:

Hanseníase virchoviana, baciloscopia, visceral

Resumo

Na literatura há referências de que a proliferação do M. leprae nas vísceras pode se manter mesmo na ausência de proliferação, em nível cutâneo-neural, e que isto poderia permitir reativações da hanseníase. Com o fito de avaliar-se a baciloscopia nas diversas localizações viscerais comprometidas na hanseníase virchoviana e, se possível, compará-las com a baciloscopia em material colhido em pele e nervos periféricos, analisamos 60 necrópsias de indivíduos virchovianos. Estas necrópsias foram divididas em grupos de acordo com os resultados da última baciloscopia que o paciente apresentou em vida, ou seja: Virchovianos ativos e em progressão — 15 necrópsias; Virchovianos ativos e em regressão — 17 necrópsias; Virchovianos inativos — 28 necrópsias. Em algumas necrópsias o índice da baciloscopia visceral ultrapassou o mesmo índice em nível cutâneo-neural, e em 3 necrópsias bacilos típicos foram encontrados somente em vísceras (laringe e testículos). Em termos comparativos com a baciloscopia cutâneo-neural estes resultados não puderam ser valorizados porque limitações de natureza técnica e legal nos impediram de colher fragmentos de pele e nervos periféricos em várias localizações. No entanto, há trabalhos sugerindo que a baciloscopia em linfonodos de drenagem da pele pode dar uma idéia bastante aproximada da baciloscopia cutânea. Em algumas das necrópsias examinadas, em localizações viscerais, o índice baciloscópico ultrapassou o mesmo índice no linfonodo axilar. Excluindo-se linfonodos axilares, os valores mais elevados do índice baciloscópico para as vísceras foram encontrados na laringe, testículos e faringe, com predomínio da primeira localização. Isto pode confirmar a relação entre temperatura tecidual e capacidade de proliferação bacilar, sugerindo que a laringe apresenta condições de adaptação e proliferação do M. leprae semelhantes à mucosa nasal, que é a via principal de eliminação bacilar.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALFIERI, N., FLEURY, R.N., OPROMOLLA, D.V.A., URA, S., CAMPOS, I. Oral lesions in borderline and reactional tuberculoid leprosy. Oral Surgery, v.55, n.1, p.52-57, 1983.
BARTON, R.P.E. Lesions of the mouth, pharynx and larynx in lepromatous leprosy. Leprosy in India, v.46, p.130-134, 1974.
BARTON, R.P.E. Ear, nose and throat involvement in leprosy. In: HASTINGS, R.C., ed. Leprosy. Endinburgh: Churchill, p.243-252, 1985.
BERNARD, J.C.; VAZQUEZ, C.A.J. Visceral lesions in lepromatous leprosy. Study of sixty necropsies. Int. J. Leprosy, v.41, p.94-101, 1973.BRAND, P.W. Temperature variation and leprosy deformity. int. J. Leprosy, v.27, p.1-7, 1959.
CHACKO, C.J.G. Evolution of leprosy lesions in man. In: INTERNATIONAL LEPROSY CONGRESS,13, Haia, 11-17 september,1988.
COCHRANE, R.G. Signs and symptoms. In: COCHRANE, R.G., DAVEY, T.F. Leprosy in theory and practice 2nd ed. Bristol: Wright & Sons, 1964. p.251-274.
DESIKAN, K.V. Viability of M. leprae outside the human body. Lepr. Rev., v.48. p.231-235, 1977.
DESIKAN, K.V.; JOB, C.K. A review of post-mortem findings in 37 cases of leprosy. Int. I. Leprosy, v.36, p.32-44, 1968.
DRUTZ, D.J. et al. The continuous bacteremia of lepromatous leprosy. New Engl. J. Med., v. 287, p.159-164, 1972.
FITE, G.L. Leprosy from the histologic point of view. Arch. Pathol., v.35, p.611-644, 1943.
FLEURY, R.N. Doenças bacterianas. In: SILVA, I.M. da Dermatopatologia. Rio de Janeiro: Atheneu, 1983. p.99-100.
FLEURY, R.N. Manifestações sistêmicas. In: TALHARI, S., NEVES, R.G. Hanseníase Dermatologia Tropical. 2a ed. Manaus: ISEA, 1989. p.73-77.
FLEURY, R.N.; OPROMOLLA, D.V.A. Hanseníase virchoviana, fenômeno de Lúcio e criptococose. Hans. Int., v.13, p.47-55, 1988.
GARCIA, R.B. Avaliação do comprometimento específico das principais cadeias de linfonodos na hanseníase. Bauru: USP, 1981. Tese (doutorado) Faculdade de Odontologia.
J08, C.K. Gynecomastia and leprous orchits. A preliminary study. Int. I. Leprosy, v.29, p.423-440, 1961.
KHANOLKAR, V.R. Pathology of leprosy. In: COCHRANE, R.G., DAVEY, T.F. Leprosy and theory and practice. 2nd ed. Bristol: Wrigth & Sons, 1964. p.125-151.
KARAT, A.B.A. Acid-fast bacilli in the bone marrow of leprosy patients. Int. I. Leprosy, v.34, p.415-419, 1966.
KARAT, A.B.A. et al. Liver in leprosy: histological and biochemical findings. Brit. Med. I., v.2, p.307-310,1971.
KAUR, S. et al. A comparative evaluation of bacteriologic and morphologic indices of Mycobacterium leprae in skin, lymphnodes, hone marrow, nerve and muscle. Int. I. Leprosy, v.43, p.55-57, 1975.
MIMS, C.A. The pathogenesis of infectious disease. 2nd ed. London: Academic Press, 1982.
MITSUDA, K.; OGAWA, M. A study of one hundred and fifty autopsies on cases of leprosy. int. J. Leprosy, v.5, p.53-60, 1937.
POWELL, C.S.; SWAN, L.L. Leprosy: pathologic changes observed in fifty consecutive necropsies. Amer. I. Pathol., v.31, p.1131-1147, 1955.
RESS, R.J.W. The microbiology of leprosy. In: HASTINGS, R.C. ed. Leprosy. Edinburgh: Churchill, 1985. p.31-50.
RIDLEY, D.S. Bacterial indices. In: COCHRANE, R.G., DAVEY, T.F. Leprosy in theory and practice. 2nd ed. Bristol: John Wright, 1964. p.620-622.
RIDLEY, D.S. Histological classification and the imunological spectrum of leprosy. Bull. Who, v.51, p.452-465, 1974.
RIDLEY, D.S. Skin biopsy in leprosy: histological interpretation and application / Basle, Ciba-Geigy, 1977.
RIDLEY, D.S.; JOPLING, W.H. A classification of leprosy for research purposes. Lepr. Rev., v.33, p.119-128, 1962.
RIDLEY, D.S.; JOPLING, W.H. Classification of leprosy according to immunity. A five-group system. Int I. Leprosy, v.34, p.255-273, 1966.
SANTOS, E.M.C.; FLEURY, R.N. Correlações histopatológicas entre pele e linfonodos nas fases evolutivas da hanseníase virchoviana. Hans. Int., v.15, p.58-66, 1990.
SCHULMAN, S.; VACCARO, A. Las adenopatias leprosas. Estudo clínico, histologico y bacteriologic() comparativo de los ganglios em Ias formas lepromatosas y neural tuberculóides. Rev. Argentina Dennatosif, v.26, p.925-940, 1942.
SHARMA, K.D.; SHRIVASTAV, J.B. Lymphnodes in leprosy. int. I. Leprosy, v.26, p.41-50, 1958
SHEPARD, C.C. Temperature optimum of Mycobacterium leprae in mice. I. Bact., v.90, p.1271-1275, 1965.
STORRS, E.E. The nine - banded armadillo: a model for leprosy and other biomedical research. Int. J. Leprosy, v.39, p.703-714, 1971.

Downloads

Publicado

30-11-1997

Como Citar

1.
Trifilio M de O, Belone A de FF, Fleury RN. Avaliação baciloscópica na hanseníase virchoviana (estudo de 60 necrópsias). Hansen. Int. [Internet]. 30º de novembro de 1997 [citado 24º de abril de 2024];22(2):10-9. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/36451

Edição

Seção

Artigos originais