Análise da série histórica do período de 2001 a 2009 dos casos de hanseníase em menores de 15 anos, no estado do RJ

  • Diana Mary Araújo de Melo Flach Enfermeira mestranda da Universidade Federal Fluminense – Mestrado Acadêmico Ciências do Cuidado em Saúde da Escola de EnfermagemAurora Afonso Costa;especialista em Saúde Coletiva, membro da área técnica da Gerência de Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SESDEC-RJ)
  • Marilda Andrade Enfermeira, doutora, professora adjunta de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense.
  • Claudia Lucia Paiva e Valle Médica da Gerência de Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SESDEC-RJ), especialista em Saúde Pública.
  • Maria Inês Fernandes Pimentel Médica dermatologista da Gerência de Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SESDEC-RJ); doutora em Dermatologia, assistente de pesquisa do Laboratório de Vigilância em Leishmanioses, Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, Fundação Oswaldo Cruz; professora titular de Dermatologia do Centro Universitário de 4 Médica Volta Redonda (UniFOA).
  • Kédman Trindade Mello Assistente Social, gerente da Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estadode Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SESDEC-RJ).
Palavras-chave: hanseníase, epidemiologia, criança, adolescente

Resumo

Foram estudados retrospectivamente os casos de hanseníase em menores de 15 anos no estado do Rio de Janeiro, entre 2001 e 2009. A detecção deste agravo em menores de 15 anos indica transmissão recente por fontes ativas, sendo o indicador "coeficiente de detecção em menores de 15 anos” priorizado pelo Programa Nacional de Controle da Hanseníase/ MS. Os dados foram coletados a partir das notificações contidas no Sistema Nacional de Agravos de Notificação/Hanseníase. O coeficiente de detecção nesta faixa etária passou de patamar “muito alto” (até 2004) para “alto” no final do período estudado, demonstrando tendência a uma diminuição lenta e progressiva da endemia. A proporção de crianças em relação aos casos totais manteve-se em 6,6% entre 2005 e 2007, com pequena redução em 2008 e 2009. Formas paucibacilares predominaram nesta faixa etária em todo o período estudado. A avaliação das atividades de controle que conduzem à minimização dos riscos de dano neural, como grau de incapacidade no diagnóstico e cura, demonstrou resultados considerados regulares. A avaliação no diagnóstico nos  menores de 15 anos apresenta resultados aquém do encontrado em relação aos casos novos totais do estado; a avaliação na cura foi precária até 2007, alcançando melhores índices em 2008 e 2009, aproximando-se dos valores recomendados pelo Ministério da Saúde. Os indicadores do grupo estudado, de modo geral, acompanham a tendência à queda observada nos indicadores dos casos totais de hanseníase no estado do Rio de Janeiro, e a melhoria dos índicesreflete o êxito das estratégias empregadas para o controle da endemia e a atenção com as incapacidades dos pacientes. 

Referências

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14 Secretaria de Estado da Saúde e Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro. Gerência de Dermatologia Sanitária. Plano Estadual de Eliminação da Hanseníase no Estado do Rio de Janeiro – 2010 (mimeo).
Publicado
2010-06-30
Como Citar
1.
Flach DMA de M, Andrade M, Valle CLP e, Pimentel MIF, Mello KT. Análise da série histórica do período de 2001 a 2009 dos casos de hanseníase em menores de 15 anos, no estado do RJ. Hansen. Int. [Internet]. 30º de junho de 2010 [citado 21º de janeiro de 2022];35(1):13-0. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/index.php/hansenologia/article/view/35116
Seção
Artigos originais