Perfil epidemiológico da Hanseníase entre os anos 2015 e 2020, no município de Lago da Pedra, estado do Maranhão

  • Sebastião Márcio da Silva Vieira Universidade Estadual do Maranhão
  • Alane do Carmo Silva Universidade Estadual do Maranhão
  • Ana Caroline de Andrade Passos Universidade Estadual do Maranhão
  • Giovanna Rotondo de Araújo Universidade Federal de Minas Gerais
  • Juliana Maria Trindade Bezerra Universidade Estadual do Maranhão
Palavras-chave: Hanseníase, Atenção à Saúde, Epidemiologia, Incidência, Sistemas de Informação em Saúde

Resumo

​A alta morbidade da Hanseníase tem sido associada ao acometimento neural, que pode levar a incapacidades físicas permanentes e deformidades que geram, muitas vezes, comportamentos de rejeição e discriminação da sociedade em relação ao doente. No município de Lago da Pedra, localizado no estado do Maranhão, a doença se manifesta de forma representativa. O objetivo do presente estudo foi descrever as características epidemiológicas da Hanseníase no município de Lago da Pedra, estado do Maranhão, no período de 2015 a 2020. Trata-se de um estudo descritivo, observacional e retrospectivo, em que foram analisadas as Fichas de Notificação de Hanseníase, que compõem o banco de dados oficial do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), fornecidas pela Secretaria Municipal de Saúde. Foram confirmados 395 casos de Hanseníase no município, com predominância do gênero masculino (55,0%), faixa etária dos 30 a 39 anos (19,7%) e forma clínica Dimorfa (74,4%). A incidência por 1.000 habitantes variou de 0,95 a 2,21. Houve diferença estatisticamente significativa na comparação das medianas de casos de Hanseníase entre os anos (H = 11,37; p = 0,04), entre as faixas etárias (H = 10,88; p = 0,0043), entre as formas clínicas da doença (H = 21,67; p = 0,0002), mas não entre os gêneros (U = 11,50; p = 0,33). Ressalta-se que o Maranhão, estado nordestino, é considerado endêmico para a Hanseníase, tendo em vista o contexto socioeconômico da população, que é marcado por desigualdades sociais, inclusive na saúde, influenciando no alto número de casos diagnosticados da doença.

Biografia do Autor

Sebastião Márcio da Silva Vieira, Universidade Estadual do Maranhão
Graduando em Licenciatura em Ciências Biológicas do Centro de Estudos Superiores de Lago da Pedra, Universidade Estadual do Maranhão, Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, Lago da Pedra, Maranhão Brasil.
Alane do Carmo Silva, Universidade Estadual do Maranhão
Graduanda em Licenciatura em Ciências Biológicas do Centro de Estudos Superiores de Lago da Pedra, Universidade Estadual do Maranhão, Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, Lago da Pedra, Maranhão Brasil.
Ana Caroline de Andrade Passos, Universidade Estadual do Maranhão
Especialista em Ensino da Genética, Graduada em Ciências Licenciatura com Habilitação em Biologia.Professora Substituta do Centro de Estudos Superiores de Lago da Pedra, Universidade Estadual do Maranhão, Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, Lago da Pedra, Maranhão Brasil.
Giovanna Rotondo de Araújo, Universidade Federal de Minas Gerais
Mestranda no Laboratório de Epidemiologia e Controle de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Departamento de Parasitologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais, Brasil
Juliana Maria Trindade Bezerra, Universidade Estadual do Maranhão
Pós-doutora em Epidemiologia das Doenças Infecciosas e Parasitárias, Doutora em Ciências da Saúde, Mestre em Saúde do Adulto, Graduada em Licenciatura em Ciências com Habilitação  em Biologia, Professora Adjunta do Centro de Estudos Superiores de Lago da Pedra, Universidade Estadual do Maranhão, Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, Lago da Pedra, Maranhão Brasil. Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal, Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, Maranhão, Brasil. Professora do Programa de Pós-Graduação em Parasitologia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Referências

Ministério da Saúde (BR). Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia prático sobre hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde; 2017. [cited 2021 Out 5]. Available from: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2017/novembro/22/Guia-Pratico-de-Hanseniase-WEB.pdf

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia para o Controle da Hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde; 2002. [cited 2021 Out 5]. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_de_hanseniase.pdf

Da Costa NMGB, Barbosa TCS, Queiroz DT, Oliveira AKA, Montemezzo LCD, Andrade UC. Perfil sociodemográfico e grau de incapacidade do portador de hanseníase em um centro de referência no estado do Ceará. Braz. J. of Dev. 2020 Jun;6(6):41439-49. doi: https://doi.org/10.34117/bjdv6n6-618

Chavarro-Portillo B, Soto CY, Guerrero MI. Mycobacterium leprae's evolution and environmental adaptation. Acta Trop. 2019 Sep;197:105041. doi: https://doi.org/10.1016/j.actatropica.2019.105041.

Sarode G, Sarode S, Anand R, Patil S, Jafer M, Baeshen H, et al. Epidemiological aspects of leprosy. Dis Mon. 2020 Jul;66(7):100899. Epub 2019 Dec 2. doi: https://doi.org/10.1016/j.disamonth.2019.100899.

Sarkar R, Pradhan S. Leprosy and women. Int J Womens Dermatol. 2016 Oct 25;2(4):117-21. doi: https://doi.org/10.1016/j.ijwd.2016.09.001.

Velôso DS, Melo CB, Sá TLB, Santos JP, Nascimento EF, Costa FAC. Perfil clínico epidemiológico da Hanseníase: uma revisão integrativa. Rev Eletrônica Acervo Saúde. 2018;10(1):1429-37. doi: https://doi.org/10.25248/REAS146_2018

Organização das Nações Unidas Brasil [Internet]. Brasília; 2018. [updated 2021; cited 2021 Out 5]. Brasil registra 11,6% dos casos de hanseníase no mundo; [about 1 screens]. Available from: https://brasil.un.org/pt-br/79073-brasil-registra-116-dos-casos-de-hanseniase-no-mundo /.

World Health Organization. Global leprosy update, 2019 - time to step-up prevention initiatives. Wkly Epidemiol Rec [Internet]. 2020;95(36):417-40. [cited 2021 Out 5]. Available from: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/334140/WER9536-eng-fre.pdf?sequence=1&isAllowedy=y&ua=1

World Health Organization [Internet]. Genebra; 2020. [updated 2021; cited 2021 Apr 26]. Leprosy (Hansen's disease); [about 1 screen]. Available from: https://www.who.int/health-topics/leprosy#tab=tab_1.

Global Burden of Disease [Internet]. Washington: GBD; 2019. [updated 2021; cited 2020 Oct 15]. Compare – Leprosy; [about 1 screen]. Available from: http://www.healthdata.org/data-visualization/gbd-compare.

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico Hanseníase [Internet]. Brasília; 2021. [cited 2021 Out 5]. Available from: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/media/pdf/2021/fevereiro/12/boletim-hanseniase-_-25-01.pdf

Sá-Silva JR. Hanseníase e Educação em Saúde: professores e escola nas ações de prevenção. São Luís: Editora UEMA; 2017.

Silva WN. Aspectos clínico-epidemiológicos e análise espacial da hanseníase no município de Lago da Pedra MA [dissertation]. São Luís: Universidade Federal do Maranhão; 2018. [cited 2021 Out 6]. Available from: https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/2251.

Secretaria Municipal de Saúde (Lago da Pedra). Distribuição dos casos de hanseníase no município de Lago da Pedra por bairros em 2020. Lago da Pedra: Prefeitura Municipal de Lago da Pedra; 2021.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [Internet]. Rio de Janeiro; 2020. [updated 2021; cited 2021 Apr 10]. Lago da Pedra, Maranhão; [about 1 screen]. Available from: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/ma/lago-da-pedra.html.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [Internet]. Rio de Janeiro; 2010. [updated 2021; cited 2021 Out 5]. Censo 2010; [about 1 screen]. Available from: https://censo2010.ibge.gov.br/.

Secretaria Municipal de Saúde [Internet]. Lago da Pedra: Prefeitura Municipal de Lago da Pedra; 2020. [cited 2021 Out 5]. Secretaria Municipal de Saúde: informações do órgão; [about 1 screen]. Available from: https://www.lagodapedra.ma.gov.br/secretaria.php?sec=11

Sistema de Informação de Agravos de Notificação [Internet]. Brasília; 2007. [updated 2021; cited 2021 Mar 16]. Hanseníase – Ficha de Notificação/Investigação; [about 1 screen]. Available from: http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Hanseniase/Manual_tabulacao_indicadores_hanseniase.pdf

Gordis L. Epidemiologia. 5 ed. Rio de Janeiro: Revinter Publicações; 2017.

Ayres M, Ayres Jr. M, Ayres DL, Santos ASS. BioEstat: Aplicações estatísticas nas áreas das ciências bio-médicas versão 5.0. Belém: ONG Mamiraua; 2007. Available from: https://www.researchgate.net/profile/Alex-De-Assis-Dos-Santos-2/publication/263608962_BIOESTAT_-_aplicacoes_estatisticas_nas_areas_das_Ciencias_Bio-Medicas/links/02e7e53b598e69ebfe000000/BIOESTAT-aplicacoes-estatisticas-nas-areas-das-Ciencias-Bio-Medicas.pdf

Siqueira AL, Tibúrcio JD. Estatística na área da saúde: conceitos, metodologias, aplicações e prática computacional. Belo Horizonte: Coopmed; 2011.

Dean AG, Sullivan KM, Soe MM. Geórgia: Open Source Epidemiologic Statistics for Public Health [Internet]. Geórgia; 2013. [updated 2013; cited 2021 Out 6]. Available from: https://www.openepi.com/Menu/OE_Menu.htm.

Ministério da Saúde (BR) [Internet]. Resolução nº 466, de 12 de Dezembro de 2012. Brasília; 2012. [updated 2021; cited 2021 Out 6]. Available from: https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf

Evangelista CMN. Fatores sócio-econômicos e ambientais relacionados à Hanseníase no Ceará [dissertation]. Ceará: Universidade Federal do Ceará; 2004. [cited 2021 Out 6]. Available from: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/999.

Rodrigues RN, Leano HAM, Bueno IC, Araújo KMFA, Lana FCF. Áreas de alto risco de hanseníase no Brasil, período 2001-2015. Rev. Bras. Enferm. 2020;73(3):1-7. doi: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0583

Lana FCF, Lanza FM, Velásquez-Meléndez G, Branco AC, Teixeira S, Malaquias LCC. Distribuição da Hanseníase segundo sexo no Município de Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil. Hansen Int [Internet]. 2003[cited 2021 Out 6];28(2):131-37. Available from: https://periodicos.saude.sp.gov.br/index.php/hansenologia/article/view/36391

Melão S, Blanco LFO, Mounzer N, Veronezi CCD, Simões PWTA. Perfil epidemiológico dos pacientes com hanseníase no extremo sul de Santa Catarina, no período de 2001 a 2007. Rev Soc Bras Med Trop. 2011;44(1):79-84. doi: https://doi.org/10.1590/S0037-86822011000100018

Hinrichsen SL, Pinheiro MRS, Jucá MB, Rolim H, Danda GJN, Danda DMR. Aspectos epidemiológicos da Hanseníase na cidade de Recife, PE em 2002. An Bras Dermatol. 2004;79(4):413-21. doi: https://doi.org/10.1590/S0365-05962004000400003

Monteiro BR, Ataíde CAV, Silva CJA, Neres JNS, Medeiros ER, Simpson CA. Educação em saúde para a hanseníase: experiência da enfermagem. Revista Saúde (Santa Maria). 2018;44(1):1-5. doi: https://doi.org/10.5902/2236583424084

Imbiriba EB, Hurtado-Guerrero JC, Garnelo L, Levino A, Cunha MG, Pedrosa V. Perfil epidemiológico da hanseníase em menores de quinze anos de idade, Manaus (AM), 1998-2005. Rev Saúde Pública. 2008;42(6):1021-26. doi: https://doi.org/10.1590/S0034-89102008005000056

Lana FCF, Amaral EP, Lanza FM, Lima PL, Carvalho ACN, Diniz LG. Hanseníase em menores de 15 anos no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brasil. Rev Bras Enferm. 2007;60(6):696-700. doi:https://doi.org/10.1590/S0034-71672007000600014

Pires CAA, Malcher CMSR, Abreu Júnior JMC, Albuquerque TG, Corrêa IRS, Daxbacher ELR. Hanseníase em menores de 15 anos: a importância do exame de contato. Rev Paul Pediatr. 2012;30(2):292-5.

da Silva AR, Lima Neto PM, Santos LH, Lima RJCP, Tauil PL, Gonçalves EGR. Factors associated with leprosy in a municipality of the Pre-Amazon region, state of Maranhão, Brazil. Rev Soc Bras Med Trop. 2018;51(6):789-94. doi: https://doi.org/10.1590/0037-8682-0038-2018

Cavalcanti AAL, Lucena-Silva N, Montarroyos UR, Albuquerque PMCC. Concordance between expected and observed bacilloscopy results of clinical forms of leprosy: a 6-year retrospective study in Recife, State of Pernambuco, Brazil. Rev Soc Bras Med Trop. 2012;45(5):616-9. doi: https://doi.org/10.1590/S0037-86822012000500014

Ramos ARS, Ferreira SMB, Ignotti E. Óbitos por hanseníase como causa básica em residentes no Estado de Mato Grosso, Brasil, no período de 2000 a 2007. Epidemiol Serv Saúde. 2013;22(2):1017-26. doi: http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742013000200009

Secretaria Estadual de Saúde do Maranhão [Internet]. São Luís; 2020. [updated 2021; cited 2020 Mar 16]. Hanseníase; [about 1 screen]. Available from: https://www.saude.ma.gov.br/tags/hanseniase/.

Conselho Nacional de Saúde. Recomendação nº 072, de 21 de dezembro de 2020 [Internet]. Brasília; 2020. [updated 2021; cited 2020 Dec 21]. Available from: http://conselho.saude.gov.br/recomendacoes-cns/1555-recomendacao-n-072-de-21-de-dezembro-de-2020

Marques NP, Marques NCT, Cardozo IM, Martelli DRB, Lucena EG, Oliveira EA, et al. Impact of the coronavirus disease 2019 on the diagnoses of Hansen's disease in Brazil. Rev Soc Bras Med Trop. 2021 Jul 23;54:e02512021. doi: https://doi.org/10.1590/0037-8682-0251-2021.

Sociedade Brasileira de Hansenologia [Internet]. Belém; 2020. [updated 2021; cited 2020 Apr 09]. SBH publica orientações sobre o COVID-19 e hanseníase; [about 1 screen]. Available from: https://www.nhrbrasil.org.br/atividades/noticias/201-sbh-publica-orientacoes-para-medicos-sobre-o-covid-19-e-hanseniase.html

Arora S, Bhatnagar A, Singh GK, Pal R, Bahuguna A, Das P, et al. Hansen's disease in the era of COVID-19: an observation on a series of six patients with co-infection. Dermatol Ther. 2021 Mar;34(2):e14827. doi: https://doi.org/10.1111/dth.14827.

Publicado
2021-12-22
Como Citar
1.
Vieira SM da S, Silva A do C, Passos AC de A, Araújo GR de, Bezerra JMT. Perfil epidemiológico da Hanseníase entre os anos 2015 e 2020, no município de Lago da Pedra, estado do Maranhão . Hansen. Int. [Internet]. 22º de dezembro de 2021 [citado 24º de janeiro de 2022];45:1-20. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/index.php/hansenologia/article/view/36814
Seção
Artigos originais