Ocorrência de perigos físicos em alimentos

Autores

  • Elaine Cristina de Mattos Núcleo de Ciências Químicas e Bromatológicas, Centro de Laboratório Regional de Santo André, Instituto Adolfo Lutz, Santo André, SP, Brasi
  • Laís Fernanda de Pauli-Yamada Núcleo de Morfologia e Microscopia, Centro de Alimentos, Instituto Adolfo Lutz https://orcid.org/0000-0001-7236-0919
  • Augusta Mendes da Silva Núcleo de Morfologia e Microscopia, Centro de Alimentos, Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, SP, Brasil https://orcid.org/0000-0002-4466-5296
  • Márcia Dimov Nogueira Núcleo de Morfologia e Microscopia, Centro de Alimentos, Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, SP, Brasil https://orcid.org/0000-0002-7576-2275
  • Márcia Bittar Atui Núcleo de Morfologia e Microscopia, Centro de Alimentos, Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, SP, Brasi https://orcid.org/0000-0002-2793-4001
  • Maria Aparecida Moraes Marciano Núcleo de Morfologia e Microscopia, Centro de Alimentos, Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, SP, Brasi https://orcid.org/0000-0002-5610-172X

DOI:

https://doi.org/10.53393/rial.2022.v81.37178

Palavras-chave:

Controle de Perigos, Segurança Alimentar, Análise de Alimentos, Microscopia, Risco à Saúde

Resumo

 A ocorrência de matérias estranhas com potencial perigo físico em alimentos é um grande desafio para a indústria alimentícia, e a análise microscópica é provavelmente o instrumento mais útil para detectá-las e identificá-las. Considerando a escassez de dados sobre os perigos físicos em produtos alimentícios no Brasil, o objetivo deste estudo foi descrever essa ocorrência nos produtos analisados no Núcleo de Morfologia e Microscopia do Centro de Alimentos do Laboratório Central do Instituto Adolfo Lutz (IAL), em São Paulo, no período de 2008 a 2020. Os resultados revelaram que, das 7.221 amostras de alimentos analisadas, 89 (1,2%) estavam em desacordo com a legislação em vigor, por conterem perigos físicos. De acordo com a categoria de alimentos, a ocorrência foi maior para bebidas (43%), seguida de cereais, farinha e farelo (22%). Quanto ao tipo de matéria estranha, os plásticos (duros e flexíveis) foram os mais frequentes (48%), seguidos dos metais (15%) entre as partículas perigosas detectadas nas amostras. A detecção e identificação de perigos físicos, por meio de análises microscópicas, contribuem para a segurança e qualidade dos produtos alimentícios oferecidos à população.

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Arquivos adicionais

Publicado

2022-03-31

Como Citar

Mattos, E. C. de, Pauli-Yamada , L. F. de, Silva , A. M. da, Nogueira, M. D., Atui , M. . B., & Moraes Marciano , M. A. . (2022). Ocorrência de perigos físicos em alimentos. Revista Do Instituto Adolfo Lutz, 81, 1–14,e37178. https://doi.org/10.53393/rial.2022.v81.37178

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