Resumo
Introdução: a hanseníase permanece como um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente devido ao diagnóstico tardio e às incapacidades físicas associadas. O grau de incapacidade física 2 é um marcador de gravidade e reflete falhas na detecção precoce. Objetivo: confirmar o grau de incapacidade física 2 atribuído ao diagnóstico de hanseníase e analisar o perfil epidemiológico dos pacientes no estado de Goiás. Métodos: estudo observacional e descritivo, baseado em dados secundários da Superintendência de Vigilância em Saúde de Goiás, referentes aos anos de 2023 e 2024. Foram incluídos pacientes notificados como grau de incapacidade física 2 ao diagnóstico. As informações foram obtidas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, das fichas de Avaliação Neurológica Simplificada e do Sistema de Investigação do Grau 2 de Incapacidade Física. Os Departamentos Regionais de Saúde enviaram documentação complementar e fotografias das mãos, pés e olhos, avaliadas por especialistas para confirmação do grau. Resultados: em 2023, 34,5% dos casos inicialmente notificados como grau de incapacidade física 2 não foram confirmados após revisão especializada; em 2024, esse percentual foi de 30,0%. Entre os casos confirmados, observou-se predominância de baixa escolaridade, sexo masculino e classificação operacional multibacilar. Conclusão: a reavaliação do grau de incapacidade física 2 evidenciou inconsistências na classificação inicial, indicando fragilidades na avaliação neurológica. A correta identificação das incapacidades é essencial para qualificar os indicadores epidemiológicos, orientar políticas públicas e reduzir o impacto social e econômico da hanseníase.
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