Avaliação sensitiva de hansenianos pelos monofilamentos Semmes-Weinstein em serviço terciário de fisioterapia

Autores

  • Saulo Nani Leite Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Doutorando do Programa de Pós Graduação Interunidades em Bioengenharia (Escola de Engenharia de São Carlos – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Instituto de Química de São Carlos), Universidade de São Paulo.
  • Ana Regina Souza Bavaresco Barros Fisioterapeuta Mestre do Centro de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
  • Marisa de Cássia Registro Fonseca Professora Doutora do curso de fisioterapia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
  • Thiago Antônio Moretti Andrade Doutorando da Divisão de Dermatologia do Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
  • Norma Tiraboschi Foss Professora Doutora da Divisão de Dermatologia do Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
  • Marco Andrey Cipriani Frade Professor Doutor da Divisão de Dermatologia do Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.

DOI:

https://doi.org/10.47878/hi.2010.v35.36288

Palavras-chave:

Hanseníase, doença do sistema nervoso periférico, diagnóstico, monofilamentos Semmes-Weinstein

Resumo

Objetivos: Identificar a frequência das alterações da sensibilidade de mãos e pés de hansenianos através dos monofilamentos Semmes-Weinstein no hospital terciário. Método: Trinta pacientes do setor de fisioterapia do Hospital da Clínicas da FMRP-USP foram avaliados clinico-epidemiologicamente e submetidos ao teste por monofilamentos de agosto a dezembro de 2004. Resultados: A média de idade dos pacientes foi de 48,4 anos, sendo 80% do sexo masculino e 70% oriundos da região de Ribeirão Preto. Classificavam-se como multibacilares 70% dos pacientes e 80% apresentavam-se com Grau I de incapacidade. Quanto ao teste nos membros superiores, o nervo ulnar foi o mais acometido nos paucibacilares (78%) e nos multibacilares (83%). Nos membros inferiores, o ramo plantar medial do nervo tibial posterior encontrou-se acometido em todos os pacientes do grupo multibacilar. A sensação protetora estava ausente nas mãos em 26% no grupo pauci e 46% no multibacilar, e nos pés 44% no paucibacilar e 56% no multibacilar. O diagnóstico foi tardio em 37% dos pacientes, apresentando no mínimo dois nervos com perda da sensação protetora. Conclusão: Os resultados evidenciaram que o acompanhamento da neuropatia da hanseníase pelos monofilamentos S-W, mostrou-se capaz de identificar alterações da sensibilidade em múltiplos nervos das extremidades, tanto nos pacientes paucibacilares quanto multibacilares, tornando-se evidente a gravidade dos pacientes atendidos nos serviço de atenção terciária à saúde.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

1 WORLD HEALTH ORGANIZATION – Hanseníase: Taxas de Prevalência no Início de 2007. Disponível em: http://www.who.int/lep/situation/PrevStart2007a.pdf Acesso em julho de 2008.
2 Koelewijn LF, Meima A, Broekhuis SM, Richardus JH, Mitchell PD, Benbow C, et al. Sensory testing in leprosy: comparison of ballpoint pen and monofilaments. Lepr Rev 2003; 74: 42-52.
3 Souza CS. Hanseníase: Formas Clínicas e Diagnóstico Diferencial. Medicina, Ribeirão Preto. 1997; 30: 325-334.
4 Moreira D, Álvarez RRA. Utilização dos monofilamentos de Semmes-Weinstein na avaliação de sensibilidade dos membros superiores de pacientes hansenianos atendidos no Distrito Federal. Hansen Int 1999; 24: 121-8.
5 Anderson AM, Croft RP. Reliability of monofilament and ballpoint sensory testing, and voluntary muscle testing in Bangladesh. Lepr Rev 1999; 70: 305-13.
6 Narayanakumar TS, Subramanian A, Manivannan K. A method texture discrimination in the sole of the foot. A preliminary communication. Lepr Rev 1995; 66: 165-8.
7 Van Brakel WH, Kets CM, Van Leerdam ME, Khawas IB, Gurung KS. Function sensibility of the hand in leprosy patients. Lepr Rev 1997; 68: 25-37.
8 Van Brakel WH, Shute J, Dixon JA, Arzet H. Evaluation of sensibility in leprosy – comparison of various clinical methods. Lepr Rev 1994; 65: 106-21.
9 Van Brakel WH, Khawas IB, Gurung KS, Kets CM, vanLeerdam ME, Drever W. Intra and inter-tester reliability of sensibility testing in leprosy. Int J Lepr Other Micobact Dis 1996; 64 (3): 287-98.
10 Roberts AE, Nicholls PG, Maddali P, Van Brakel WH. Ensuring inter-tester reliability of voluntary muscle and monofilament sensory testing in the INFIR cohort study. Lepr Rev 2007; 78: 122-130.Brandsma JW, Van Brakel WH, Anderson AM, Kortendijk AJ, Gurung KS, Sunwar SK. Intertester reliability of manual muscle strength testing in leprosy patients. Lepr Rev 1998; 69: 257-266.
12 Ministério da Saúde. Hanseníase – Atividades de Controle e Manual de Procedimentos. Brasília: Fundação Nacional de Saúde; 2001.
13 Ministério da Saúde. Manual de Prevenção de Incapacidades. Brasília: Fundação Nacional de Saúde; 2001.
14 Lehman LF, Orsini MBP, Nicholl ARJ. The development and adaptation of the Semmes-Weinstein monofilaments in Brazil. J Hand Ther 1993; 26: 290-7.
15 Camargo LHS, Baccarelli R. Avaliação sensitiva na neuropatia hansênica. In: Duerksen F, Virmond M. Cirurgia Reparadora e Reabilitação em Hanseníase. 1997. p. 75-81.
16 Duerksen F, Virmond M. Fisiopatologia da mão em hanseníase. In: Duerksen F, Virmond M. Cirurgia Reparadora e Reabilitação em Hanseníase. 1997. p. 205-07.
17 Mitchell PD. The threshold for protective sensation that prevents neuropathic ulceration on the plantar aspect of the foot: a study of leprosy patients in a rural community in India. Lepr Rev 2001; 72: 143-50.
18 Mitchell PD, Mitchell TN. The age-dependent deterioration in light touch sensation on the plantar aspect of the foot in a rural community in India: implications when screening for sensory impairment. Lep Rev 2000; 71(2): 169-78.
19 Duerksen F. Úlceras plantares. In: Duerksen F, Virmond M. Cirurgia Reparadora e Reabilitação em Hanseníase. 1997. p. 275-80.
20 Ministério da Saúde. Guia de Controle de Incapacidades. Brasília: Fundação Nacional de Saúde; 1994.
21 Ministério da Saúde. Manual de Prevenção de Incapacidades. Brasília: Fundação Nacional de Saúde; 1997.
22 Oliveira S, Pedroso M, Baccarelli R, Gonçalves A. Adequação de procedimentos de instrumentalização de dados em prevenção e tratamento de incapacidades físicas em hanseníase. Rev Hosp Clin Fac Med S Paulo 1990; 45: 75-9.
23 Moreira D, Álvarez RRA. A importância da avaliação de incapacidades em membros superiores de pacientes portadores de hanseníase atendidos em nível ambulatorial. Fisioterapia em Movimento 2001; 14: 21-4.
24 Talhari S, Neves RG. Hanseníase. Manaus: Gráfica Tropical; 1997.
25 Aquino DMC, Santos JS, Costa JML. Avaliação do programa de controle da hanseníase em um município hiperendêmico do Estado do Maranhão, Brasil, 1991-1995. Cad Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2003; 19: 119-25.

Downloads

Publicado

30-11-2010

Como Citar

1.
Leite SN, Barros ARSB, Fonseca M de CR, Andrade TAM, Foss NT, Frade MAC. Avaliação sensitiva de hansenianos pelos monofilamentos Semmes-Weinstein em serviço terciário de fisioterapia. Hansen. Int. [Internet]. 30º de novembro de 2010 [citado 17º de junho de 2024];35(2):9-16. Disponível em: https://periodicos.saude.sp.gov.br/hansenologia/article/view/36288

Edição

Seção

Artigos originais