Resumo
Introdução: a hanseníase provoca danos físicos, psicológicos e sociais, incluindo estigmas e exclusão, mesmo após a cura clínica. A escola desempenha papel fundamental na superação do preconceito, promovendo inclusão e respeito à diversidade. No entanto, muitos professores possuem dúvidas e crenças equivocadas sobre a doença, o que pode impactar negativamente a convivência escolar de alunos e famílias acometidas. Objetivo: relatar uma intervenção educativa voltada a professores do Ensino Fundamental e Médio sobre noções básicas de hanseníase, com foco na redução do estigma e promoção de um ambiente escolar mais inclusivo. Metodologia: trata-se de um relato de experiência com abordagem quali-quantitativa, realizado em uma escola estadual de Bauru, São Paulo, Brasil. Foram aplicados questionários pré- e pós-ação educativa para avaliar os conhecimentos dos docentes. A atividade utilizou metodologias participativas, incluindo exibição de documentário, vivência sensorial, discussão em grupo e jogo educativo sobre “mitos e verdades” da hanseníase. Resultados e discussão: os resultados indicaram melhora significativa no conhecimento dos professores, especialmente sobre as formas de transmissão e aspectos sociais da doença. Houve aumento no percentual de acertos no pós-teste, com destaque para itens sobre estigma e inclusão escolar. A avaliação qualitativa demonstrou alta satisfação dos participantes e mudança positiva na percepção sobre a doença. Conclusões: a intervenção contribuiu para a desconstrução de preconceitos e o fortalecimento do papel dos docentes como multiplicadores de informações em saúde. O uso de metodologias participativas mostrou-se eficaz na promoção do conhecimento e da empatia, favorecendo um ambiente escolar mais acolhedor e comprometido com a inclusão de pessoas afetadas pela hanseníase.
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