Resumo
Introdução: a hanseníase é uma doença crônica e negligenciada, especialmente no Brasil, onde persistem desafios significativos de diagnóstico e tratamento. Objetivo: relatar o acompanhamento de uma paciente com hanseníase que apresenta complexidade do quadro clínico, incluindo sintomas reacionais graves, como o eritema nodoso hansênico. Descrição do caso: paciente feminina, 28 anos, residente em Sorocaba, no estado de São Paulo, Brasil, com histórico de lesões nodulares eritematosas desde 2015. Durante atendimento em convênio médico, foi tratada com medicamentos tópicos e metotrexato para síndrome do anticorpo antifosfolipídeo. Relatou dificuldades no agendamento de consultas e a inadequada abordagem na Atenção Primária à Saúde. Em 2019, referida à Policlínica Municipal e após biópsia de lesão no antebraço e dorso do pé esquerdo, o diagnóstico foi compatível com eritema nodoso. No ano seguinte, após nova consulta, foi diagnosticada com hanseníase virchowiana, multibacilar, grau 2 de incapacidade física, associada à reação tipo 2, e iniciou o tratamento com poliquimioterapia. Em 2021, apresentou sintomas graves, como náuseas, febre, nódulos não ulcerados, manchas pelo corpo, dores generalizadas, edema nos membros inferiores e cefaleia, prejudicando sua capacidade de realizar atividades diárias. Continuou o tratamento com a poliquimioterapia até ser encaminhada ao Instituto Lauro de Souza Lima, em 2022. Apesar do tratamento domiciliar, foi necessário hospitalizá-la em 2023. Relata que está em tratamento para o quadro reacional, não recebe benefícios financeiros e está impossibilitada de trabalhar. Conclusão: diante do exposto, considera-se que a hanseníase exige detecção precoce, capacitação profissional e políticas públicas eficazes. Destacam-se os desafios enfrentados por mulheres, agravados pelo estigma social, reforçando a necessidade de cuidados integrados, humanizados e multiprofissionais para garantir qualidade no manejo da doença historicamente negligenciada.
Referências
1. Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim epidemiológico: hanseníase 2023 [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2023. [citado em 26 maio 2024]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2023/boletim_hanseniase-2023_internet_completo.pdf.
2. Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim epidemiológico: hanseníase 2024 [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2024. Número Especial. [citado em 26 maio 2024]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2024/be_hansen-2024_19jan_final.pdf.
3. Ministério da Saúde (BR). Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da hanseníase [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2022. [citado em 16 jul. 2024]. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/publicacoes_ms/copy_of_20230131_PCDT_Hanseniase_2022_eletronica_ISBN.pdf.
4. Ura S. Tratamento e controle das reações hansênicas. Hansen Int. 2007 Jun;32(1):67-70. doi: https://doi.org/10.47878/hi.2007.v32.35196.
5. Chen KH, Lin CY, Su SB, Chen KT. Leprosy: a review of epidemiology, clinical diagnosis, and management. J Trop Med. 2022 Jul 4;2022:8652062. doi: https://doi.org/10.1155/2022/8652062.
6. Ministério da Saúde (BR). Hanseníase no Brasil: caracterização das incapacidades físicas [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2020. [citado em 26 maio 2024]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/hanseniase_brasil_caracterizacao_incapacidades_fisicas.pdf.
7. Maymone MBC, Venkatesh S, Laughter M, Abdat R, Hugh J, Dacso MM, et al. Leprosy: treatment and management of complications. J Am Acad Dermatol. 2020 Jul;83(1):17-30. doi: https://doi.org/10.1016/j.jaad.2019.10.138.
8. World Health Organization. Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy [Internet]. WHO; 2018. [cited 2024 Jul 16]. Available from: https://www.who.int/publications/i/item/9789290226383.
9. Froes LAR Junior, Sotto MN, Trindade MAB. Leprosy: clinical and immunopathological characteristics. An Bras Dermatol. 2022 May;97(3):338-47. doi: https://doi.org/10.1016/j.abd.2021.08.006.
10. Pacheco FS. Envolvimento da via IL-10/IL-10R na resposta imunológica durante o curso da infecção pelo Mycobacterium leprae [dissertação]. Rio de Janeiro: Instituto Oswaldo Cruz; 2019. [citado em 26 maio 2024]. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1128697.
11. Organização Mundial da Saúde. Lepra/hanseníase: gestão das reacções e prevenção das incapacidades. Orientações técnicas [Internet]. OMS; 2020. [citado em 16 jul. 2024]. Disponível em: https://www.who.int/pt/publications/i/item/9789290227595.
12. Gonçalves M, Prado MAR, Silva SS, Santos KS, Araujo PN, Fortuna CM. Work and Leprosy: women in their pains, struggles and toils. Rev Bras Enferm. 2018;71(suppl 1):660-7. doi: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0598.
13. Gonçalves M, Santos KS, Silva SS, Marcussi TCC, Carvalho KV, Fortuna CM. Women and leprosy: interferences and experiences. Rev Lat Am Enfermagem. 2021;29:e3419. doi: https://doi.org/10.1590/1518-8345.4347.3419.
14. Cavalcante MDMA, Larocca LM, Chaves MMN. Múltiplas dimensões da gestão do cuidado à hanseníase e os desafios para a eliminação. Rev Esc Enferm USP. 2020;54:e03649. doi: https://doi.org/10.1590/S1980-220X2019010703649.
15. Azevedo MA, Sousa LD. Empoderamento como representatividade das mulheres na sociedade. Coisas do Gênero. 2019 Out. [citado em 16 jul. 2024];5(1):170-8. Disponível em: https://revistas.est.edu.br/genero/article/view/625.
16. Organização Mundial da Saúde. Rumo à zero hanseníase: estratégia global de hanseníase 2021-2030 [Internet]. OMS; 2021. [citado em 16 jul. 2024]. Disponível em: https://www.who.int/pt/publications/i/item/9789290228509.
17. Upputuri B, Pallapati MS, Tarwater P, Srikantam A. Thalidomide in the treatment of erythema nodosum leprosum (ENL) in an outpatient setting: a five-year retrospective analysis from a leprosy referral centre in India. PLoS Negl Trop Dis. 2020 Oct 9;14(10):e0008678. doi: https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0008678.
18. Ministério da Saúde (BR). Talidomida [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; c2024. [citado em 15 maio 2024]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hanseniase/talidomida.
19. Gupta SK, Kumari S. Chronic recalcitrant erythema nodosum leprosum: therapeutic dilemma and role of mycobacterium indicus pranii vaccine. An Bras Dermatol. 2022 Jan;97(1):49-53. doi: https://doi.org/10.1016/j.abd.2020.08.032.
20. Ministério da Saúde (BR). Formulário para avaliação neurológica simplificada e classificação do grau de incapacidade física em hanseníase [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde. [citado em 16 jun. 2024]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hanseniase/publicacoes/formulario-para-avaliacao-neurologica-simplificadae-classificacao-do-grau-de-incapacidade-fisica-em-hanseniase/view.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2025 Elcie Aparecida Braga Oliveira, Cássia Marques da Rocha Hoelz, Laudiceia Rodrigues Crivelaro, Natanael da Costa, Beatriz da Rocha Neves